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26.4.17

LANÇAMENTO DAS OBRAS VENCEDORAS DO 4º Prêmio Pernambuco de Literatura

Divulgação
Um romance metanarrativo, um livro de contos que flertam com o fantástico e a prosa poética, e ainda três poemários nada óbvios – que buscam caminhos experimentais para evidenciar conflitos ou sugerir rupturas nas relações entre indivíduos e a sociedade -, integram a mais recente coleção da Cepe Editora. São os livros vencedores do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura, iniciativa do Governo do Estado (Secult-PE, Fundarpe e Companhia Editora de Pernambuco) que serão levados ao público no próximo dia 27 de abril.

O lançamento coletivo das cinco publicações será no Museu do Estado, com a presença dos escritores premiados: Álvaro Filho (Curso de Escrita e Romance – Nível 2 ); Camillo José (A Dakimakura Flutuante); Walther Moreira Santos (Todas as Coisas Sem Nome); Paulo Gervais (Paulatim); e Philippe Wollney (Ruinosas Ruminâncias).
Para o Secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja, “a coleção é um retrato do nosso tempo, do atual momento da produção literária em diversas regiões do Estado”. Ainda de acordo com o secretário, “é motivo de celebração o nascimento destes novos livros pernambucanos, ainda mais por refletirem esse exercício tão necessário às artes de um modo geral, que é o do questionamento dos cenários pré-estabelecidos, da busca por formas e discursos que apontem para uma sociedade cada vez mais diversa e rica culturalmente”.
O diretor-presidente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Ricardo Leitão,  destaca a importância do certame literário. “O lançamento dos livros dos vencedores do 4º Prêmio Pernambuco de Literatura confirma dois pontos essenciais: o compromisso do Governo do Estado com a identificação e promoção de novos talentos literários e a integração de esforços da Fundarpe e da Cepe, mais uma vez renovada, com o objetivo de fomentar a cultura em Pernambuco”, assegurou.
A continuidade do Prêmio está consolidada no Programa Estadual de Governo para a Cultura. As inscrições para a 5ª edição encerraram-se no dia 15 de fevereiro. Mais de 115 escritores pernambucanos ou residentes no estado estão concorrendo e o resultado deve ser anunciado no próximo mês de agosto.
CIRCULAÇÃO DOS LIVROS
A Cepe Editora garante a distribuição formal das obras por livrarias e feiras de todo o país. Já a Secult e a Fundarpe, que encabeçam a política pública para a Literatura no Estado, darão continuidade a projetos que favorecem a circulação das obras e o gosto pela leitura entre os mais jovens. É o caso do projeto Outras Palavras que, de 2015 até aqui, já destinou mais de 4 mil livros pernambucanos a 220 bibliotecas de escolas públicas.
Para a Presidente da Fundarpe, Márcia Souto, “além da entrega dos livros, o projeto leva os escritores premiados às escolas, possibilitando vivências e trocas de informações que estão contribuindo com a formação dos estudantes, despertando-os para a nossa literatura e estimulando talentos em todas as regiões do estado”. Além da premiação total no valor de R$ 40 mil e publicação de 1.000 exemplares de cada obra, os escritores premiados circulam pelos municípios integrando outras programações culturais organizadas pelo Estado, como rodas de diálogo e oficinas literárias do Festival de Inverno de Garanhuns.
AS OBRAS
Grande vencedor da quarta edição do Prêmio, Curso de Escrita e Romance – Nível 2, é o quinto livro do jornalista e professor Álvaro Filho. Nele, um aspirante a escritor escreve um livro em que narra sua participação em um curso de escrita criativa e passa a viver sua própria história. Com elementos fantásticos e muita autoironia, a obra brinca com os clichês dos romances policiais noir em um jogo metanarrativo com a própria estrutura do gênero.
Se os senhores jurados têm em mão esse livro é porque me tornei um escritor e, felizmente, estou vivo. Ou não, não sei muito bem, talvez seja o contrário. Não sou o que se pode chamar de um narrador confiável. Não por um desvio de caráter, que fique claro, mas justamente por que a aventura que me transformou, ou não, num escritor, me levou a desconfiar dos outros, da realidade e, principalmente, de mim.
A Dakimakura Flutuante é o novo livro de poemas do recifense Camillo José. Com uma dicção experimental que remete à estética vaporwave (movimento artístico contemporâneo caracterizado pela admiração à cultura retrô dos anos 90), a obra traz uma  imensa quantidade de referências intertextuais, que vão desde a literatura à cultura pop, incluindo música, séries de TV, cinema, games, animes e tecnologia.
aromatizado lubrifica garganta; ca-
nudo de milk-shake conduz espuma.
a proposta é simples e sem verdura.
você recalibra os patins, saca uma
marreta da bolsa, mordisca a polpa
da cereja, não respeita ninguém:
— i think it’s time to blow this scene
get everybody and the stuff together
ok, three, two, one let’s jam —
too kawaii to live, too sugoi to die:
que invenção juvenil é a juventude.
[misirlou twist’s solo intensifies]
Em Todas as Coisas Sem Nome, Walther Moreira Santos – que possui mais de 30 livros publicados – apresenta uma linguagem precisa e uma técnica apurada para contar histórias como a de um filho que trata dos espólios do pai pedófilo; a de um menino abusado pelo tio evangélico que consegue uma vingança inesperada, entre outros contos que flertam com a prosa poética e o universo fantástico.
Eu e minhas tantas palavras – quando Deus é silêncio. Eu e meus tantos escritos-vaidades. Vivendo em um mundo onde pão, poesia e Verbo são uma só coisa. Enquanto o Mundo-Realidade é feito de Concreto, Fábricas de Mentiras, Golpes de Estado, Rios Envenenados, Florestas Incendiadas, Estupros Coletivos, Crianças Explodindo com vinte quilos de PETN amarrados ao corpo.
O garanhuense Paulo Gervais traz em Paulatim, seu segundo livro de poemas, temas como a relação entre o homem, a terra e o sagrado ou o conflito entre a contemplação e a ação frente ao mundo. De dicção serena e firme, marcada pela forma fixa de dezoito versos que conferem unidade à obra, a poética de Paulo trata ainda a humanidade de maneira delicada atemporal.
Amigo paulo,
quão pouco representa
a ti mesmo o cálculo
da vida que encenas:
como abrir janelas
sobre o voo da ave;
reunidas as imagens
de sua passagem,
dizem dela
o voo quebrado;
não fazem as pernas
este salto,
nem a pessoa, o contágio
deste discurso;
Aos poucos, paulo,
talvez resulte, avulso,
não quem és, deveras,
mas a nossa quimera.
Em Ruinosas Ruminâncias, o goianense Philippe Wollney reafirma uma dicção bastante imagética, com poemas que rompem construções morfológicas e fonéticas, ressaltando a memória como elemento de prevalência ou ruptura das relações entre indivíduos e a sociedade.  Quinto livro do poeta e produtor cultural, este poemário pode ser lido como um grande poema de amor, um dos temas mais difíceis de tratar sem cair no lugar comum.
Phillipe Wollney
SERVIÇO
Lançamento dos livros vencedores do 4º Prêmio Pernambuco de LiteraturaData: Quinta-feira, 27 de abril de 2017 | Local: Museu do Estado de Pernambuco – Av. Rui Barbosa, 960 – Graças/Recife
Horário: 19h

Fonte: www.cultra.pe.gov.br 

25.4.17

TUPARETAMA 55 ANOS - O 1º dia da cidade, 11 de abril de 1967


Centro de Tuparetama no final da década de 60 e início dos anos 70 
O 1º dia da cidade, 11 de abril de 1967 

A Lei Estadual nº 3.332 de 31 de dezembro de 1958 criou o município de Tuparetama, desmembrando-o de Tabira, do qual era Distrito. Porém a instalação oficial do município só aconteceu em 11 de abril de 1962, que passou a ser a data oficial da sua emancipação política, ou de forma mais popularmente adotada, a data de aniversário da cidade e do município. 

Dias antes, em 07 de abril, o comerciante João Tunu da Costa que fora nomeado prefeito interino do município,  tomara posse e assinara os documentos necessários para instalação do novo município na cidade de Recife. Sua investidura no cargo e a inauguração da Prefeitura aconteceu no dia 11 de abril, conforme registrado na ATA DE INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO DE TUPARETAMA: 

 “Aos 11 (onze) dias do mês de abril do ano de 1962 na cidade de Tuparetama, sede do município do mesmo nome, que, pela Lei nº 3.332 de 31 de dezembro de 1958, foi desmembrado do Município do Tabira, deste Estado de Pernambuco, ao qual pertencia como sede do terceiro distrito, aí, à rua Cel. Manoel Benedito, s/n, no prédio onde iria funcionar a nova edilidade, compareceu o cidadão João Tunu da Costa, primeiro prefeito do novo município, nomeado pelo Exmo. Sr. Governador do Estado, engenheiro Cid Feijó Sampaio, cujo ato recebeu o número 954, datado de 06 do mesmo mês de abril, já tendo prestado compromisso e tomado posse do cargo perante o Exmo. Sr. Secretário de Estado dos Negócios do Interior e Justiça, na cidade do Recife, em data de 07, ainda no referido mês de abril, declarou em presença de diversas pessoas da sociedade local aí presentes, instalado o novo município de Tuparetama para o qual havia sido nomeado , conforme acima menciona, e, que, de acordo com a referida Lei 3.332, de 31 de dezembro de 1958, passava a pertencer ao seu território a Vila de Ingazeira e o povoado de Santa Rita. Eu, Maria Salete Nogueira, a escrevi. (aa) João Tunu da Costa; Pedro Torres Tunu; Jose Sotero de Menezes; José Felipe de Oliveira; João Ângelo da Silva; Antônio Marques da Silva; José Nonardo da Cruz; João Silvestre da Silva; Luiz Filomeno de Vasconcelos; Sebastião Cavalcante de Siqueira; Elias Souto Siqueira; José Ferreira dos Santos; Cipriano Xavier de Lima; João Felipe de Lima; Belarmino Lopes da Silva; Alonso Rodrigues de Souza; Oton Leite de Oliveira; Sebastião Dias de Oliveira.” 

Centro de Tuparetama no final da década
de 60 e início dos anos 70
 
A escolha do nome de João Tunu para o cargo de prefeito, foi feita pelos‘Baluartes da EmancipaçãoSeverino Souto, Abílio Leite, Oton Leite e Pedro Tunu”, tendo como principal razão a sua situação financeira, sendo por isso o único dentre o grupo em condições de bancar as despesas com viagens, com documentos e com a implantação da prefeitura. João Tunu foi convencido por seu filho Pedro Torres Tunu a bancar essas despesas desde o início da campanha de emancipação. 

Os primeiros cargos públicos do novo município foram distribuídos pelos Udenistas de Tuparetama ( partido político da situação) entre seus parentes e amigos. Pedro Torres Tunu foi nomeado como Coletor Estadual; Severino Souto indicou seu filho Severino Souto Filho para o cargo de Tabelião e seu irmão, João Souto, como agente Arrecadador (Guarda Fiscal); Oton Leite indicou Quitéria Carneiro para a zeladoria da Escola Ernesto e indicou Zé Marques e Antônio de Hilário para os cargos de Oficiais de Justiça; Abílio Leite indicou Pedro Damião para as funções de Carcereiro e a si próprio como Delegado do SAPS. 

No ano seguinte, em 1963, realizam-se as primeiras eleições do novo município, elegendo Severino Souto de Siqueira para prefeito. De modo dinâmico, com entrega literal de corpo e alma, ele dedicou-se à ‘construção’ do município de Tuparetama, fazendo-o até onde lhe possibilitaram os limitados meios físicos, econômicos, políticos e sociais da época.

Tárcio Oliveira
Texto adaptado de "Tuparetama, o Livro do Município" 
Por gentileza citar a fonte e autor ao utilizar essas informações

UMA TARDE DE DOMINGO NO TEJUAÇU














Todas as fotos: Emília Lopes Nogueira
As fotos foram editadas em Pixlr-O-matic

23.4.17

TUPARETAMA 55 ANOS - O GINÁSIO BOM JESUS E A ESCOLA PAROQUIAL


Pe. Mário Marangon foi um dos incentivadores da educação em Tuparetama

GINÁSIO BOM JESUS 

A criação do Ginásio Bom Jesus foi um marco importante na história da educação do município. Até então os estudantes de Tuparetama dispunham apenas do ensino primário. Somente os filhos de famílias mais abastadas podiam dar continuidade aos estudos, fazendo o curso Ginasial (da 5ª a 8ª série) nas cidades vizinhas ou em Recife. O ingresso no Ginásio exigia um curso preparatório e teste, denominados Admissão.

Foi Pedro Torres Tunu, recém chegado do seminário, o principal responsável pela implantação do curso Ginasial em Tuparetama. Procurou Francisco Chaves Perazzo que intermediou com Francisco Zeferino Pessoa a cedência de seu armazém da Rua Ernesto de Souza Leite ( hoje local do Supermercado Nordeste) para as aulas.

Não era fácil passar no teste de Admissão. Era como um vestibular
para ingressar no curso colegial, equivalente aos anos de 5ª a 8ª série de hoje

O curso de admissão teve início em 1962, sob orientação de Bernardo Jucá. Funcionava à noite, à luz de lampião cedido por Chico do Bar. O quadro negro fora encomendado a Anastácio Pereira Xavier. Inicialmente o único professor era Pedro Tunu, depois Severino Souto Filho e Maria do Socorro Pessoa, recém chegados à cidade, já formados. Souto assumiu as aulas de Matemática e de Geografia. Socorro, as de Português e de História, enquanto Pedro Tunu afastava-se do ensino para assumir seu cargo de coletor estadual.

Em 1964 o Curso Ginasial foi implantado oficialmente em Tuparetama pelo professor Duque R. Sampaio de São José do Egito, com o nome de Ginásio Bom Jesus ocupando o prédio da Escola Ernesto de Souza Leite.

A primeira formatura do Ginásio Bom Jesus deu-se em 1967 e teve como formandos: Ana Maria C. Perazzo; Adelzita Moraes Silva; Diozita Maria Leite; Maria José Perazzo; Maria de Lourdes Souza; Felicidade Trajano Branquinho; Maria do Socorro F. de Vasconcelos; Maria Bernadete Lima; Clóvis Leite Ferreira; Maria Salete Nogueira; José Arnaldo Rabêlo; Carolina Lima de Souza; Valdir Daniel de Almeida; Adedy Lopes de Araújo e Maria José Viana.  O painel alusivo à formatura, com fotos dos professores e formandos encontra-se no Museu da Casa da Cultura de Tuparetama.

ESCOLA PAROQUIAL 

Marangon e estudantes do Magistério
Construída em 1968, ao lado da igreja matriz, por iniciativa do Pe. Mário Marangon, funcionou até o final do ano letivo de 1990. Inicialmente foi denominada Escola Mínima Paroquial, depois Escola Reunida Paroquial. Suas primeiras diretoras foram Mª Auxiliadora Perazzo Leite (março de 1968 a maio de 1987) e Rita Maria Pessoa  Leite de Lima (maio de 1987 a fevereiro de 1991) .

A Escola Paroquial implantou o Curso Magistério em Tuparetama, cuja primeira formatura deu-se em 1972 com a seguinte turma: Ana Maria Perazzo, Beatriz Aragão Perazzo, Dione de Lima Leite, Lêda Meira, Maria Helena, Maria José Lima, Maria das Graças Oliveira, Maria Socorro de Vasconcelos e Maria de Lourdes Leite Ferreira. O curso Magistério teve como diretores, de sua fundação até 1974, Mario Marongon, Duque R. Sampaio e David Soares.

A partir de 1974 o curso Magistério passou a funcionar na Escola Municipal Joaquim Ferreira de Melo (Colegio Bom Jesus) construído na gestão do prefeito Antônio Ferreira de Melo.  Com a construção da Escola Imaculada Conceição (Hoje EREM Cônego OLímpio Torres) o Colégio Bom Jesus foi desativado e passou a ser sede da Casa da Cultura de Tuparetama e Biblioteca Pública Municipal Escritor Monteiro Lobato.

Tárcio Oliveira 
Texto  adaptado de "Tuparetama, o Livro do Município" 
Por gentileza citar a fonte e autor ao utilizar essas informações

22.4.17

ALLAN TRAJANO TOCA HOJE NO BATATAS BAR


TUPARETAMA 55 ANOS - NÃO TIVEMOS MÃE PRETA, TIVEMOS PAI BRANCO - O CEL. MANOEL BENEDITO


NÃO TIVEMOS MÃE PRETA, TIVEMOS "PAI" BRANCO, O CORONEL  MANOEL BENEDITO

A história tem suas ironias e o fundador de Tuparetama, o coronel Manoel Benedito de Lima é vítima de uma delas. É que muitos tuparetamenses, professores inclusive, ainda hoje atribuem ao coronel a fama de amante da Negra Manoela, que por sua vez teria sido a primeira moradora da localidade, num casebre de taipa tipo meia-água. 

Ainda há poucos dias, lendo as postagens de amigos no Facebook referindo-se ao aniversário da cidade, vi algumas citando o romance entre o coronel Manoel Benedito e a Negra Manoela como se verdade fosse. Ou seja, apesar de já termos esclarecido essa história há muito tempo, desde a publicação de “Tuparetama, o livro do município” em 1999, pra muita gente o que importa é a lenda e não a verdade. 

Então vamos esclarecer essa história novamente: 

O sr. Manoel Benedito de Lima, possuidor da patente de coronel, foi um homem profundamente religioso, conservador, de valores tradicionais. Tinha boas relações com todos. Era dinâmico, ativo e empreendedor, além de esposo e pai de família dedicado. Com a esposa Angélica Madalena de Lima (nascida em 03 de fevereiro de 1872) tiveram os filhos João, Ana, Pedro, Benedito, Ângela, Elias, José, Irênio, Balbina, Josefa e Vital

O coronel Manoel Benedito e dona Angélica formavam um casal exemplar pela união e harmonia em que viviam. Contam que Angélica destacava-se entre as senhoras da época por ser uma excelente cavaleira. Ao contrário de Manoel, que preferia andar a pé, ela gostava de andar à cavalo. Possuía seu animal e todo um equipamento feminino para montaria (silhão, chapéu–com larga fita vermelha- e xale). 

Ter uma amante ou casos extra-conjugais é algo que seria impensável para ele, que nunca as teve e até onde pudemos constatar através de depoimentos sérios de pessoas antigas à época da pesquisa para o livro, o coronel sempre reprovou esse tipo de atitude machista, ou pelo menos reprovava no pai, esse sim, com certa fama de namorador. Era ao seu pai, Seu Benedito, dono de casa no Sítio Fortuna e na cidade de São José do Egito, onde foi delegado, que atribuíam o namoro com Manoela. 

A Negra Manoela

Imagem digitalizada apenas para
efeito de ilustração.
Não há registro fotográfico da Negra Manoela

 mas segundo depoimentos de antigos, 
ela era muito bela e seria uma mestiça
de negro com índio.
A mulher que passou pra história como Negra Manoela tinha pele morena escura e cabelos lisos (mistura de negros e índios?). Cozinheira de mão cheia, vendia café, pinga, tira-gosto e talvez almoço primeiramente na frente do seu casebre de taipa nas primeiras feiras do local que seria mais tarde o povoado Bom Jesus. Essa informação não é consenso pois alguns afirmam que Manoela morou pouco tempo na localidade passando a viver em São José do Egito antes da construção das primeiras casas de Bom Jesus. 

Em São José do Egito de fato ela teve seu hotel que teria sido custeado por Seu Benedito. Quando a esposa de Seu Benedito adoeceu em estado grave, no Sítio Fortuna, seu filho o coronel Manoel Benedito a trouxe para sua casa no povoado Bom Jesus, onde teria falecido. Foi então que Seu Benedito assumiu o caso com a Negra Manoela, levando-a para morar com ele no Sítio Fortuna. Manoela faleceu já idosa tendo sido sepultada talvez em São José do Egito ou Riacho do Meio, na nossa pesquisa não encontramos nenhum registro alusivo ao seu óbito e local de sepultamento. 

Portanto, embora todos nós tuparetamenses saibamos de cor os versos do hino municipal que se referem à Negra Manoela, tratada com muita liberdade poética, “Tua História de estória tão singela/ tem começo na casa original/ da mãe preta, a negra Manoela/ que abençoa do céu o teu fanal”,  na verdade sua importância histórica limita-se ao fato de ter sido a primeira habitante do local onde cresceu a cidade de Tuparetama.

O coronel Manoel Benedito de Lima

Imagem digitalizada de casal do início do século XX
apenas para efeito de ilustração..
Não temos fotos do coronel Manoel Benedito
Já o coronel Manoel Benedito de Lima com certo espírito de liderança, não só fundou o povoado Bom Jesus (hoje Tuparetama) com a construção de sua casa que foi também o primeiro armazém e a primeira bodega da localidade, como reuniu os demais senhores de posses da época, comerciantes e agropecuaristas como ele em torno de empreendimentos como a realização da primeira feira do local, a vinda do primeiro padre para celebração da santa missa e batizados, a construção da capela do Sagrado Coração de Jesus e do cemitério.

Foi o coronel o doador do primeiro caixão da caridade, usado para sepultar os pobres, que até então se fazia utilizando redes de dormir. Foi também o coronel Manoel Benedito quem fez em 1921 o requerimento para demarcação judicial das terras e propriedades rurais da localidade a partir da data de São Francisco.

Gostava de ler, possuindo livros religiosos, talvez um exemplar das Horas Marianas, muito popular na época. Trouxe os primeiros professores para o povoado instalando a ‘escola provisória’ numa sala de sua residência. De bom relacionamento, era admirado sobretudo por ser homem de fortes princípios, nunca voltando atrás numa palavra dada. Tomava freqüentemente a iniciativa de organizar as festas da comunidade para isso visitando todas as casas do povoado e fazendas circunvizinhas em busca de apoio e colaborações.

Era em sua casa que ficavam hospedadas as autoridades e chefes políticos de passagem pelo povoado. Foi ele o promotor do nosso primeiro leilão. Também fazia às vezes de chefe de polícia local antes da nomeação do primeiro comissário de polícia, resolvendo os casos de desavenças e promovendo a união e a paz.

Durante as festas, quando passeava entre o povo ali presente ao lado dos outros fazendeiros seus amigos, era aplaudido aos gritos de “Viva o Baita Manoel Benedito!”, uma demonstração do seu prestígio. Talvez a maior qualidade do coronel tenha sido seu espírito de união e de comunidade, buscando resolver os problemas sempre em grupo com seus amigos, nunca isoladamente. Possuía muitos afilhados, sinal do prestígio e da sua influência na população.

O coronel Manoel Benedito faleceu no dia 11 de novembro de 1938. Nas suas andanças a pé, voltando de uma visita a sua propriedade na Fortuna, já à noitinha, teve a visão embaçada pela fumaça de coivaras acesas próximas ao Rio Pajeú e caiu numa grota, quebrando o fêmur. Foi conduzido a Caruaru para tratamento médico, mas faleceu dois meses depois. Seis meses após sua morte, em 22 de maio de 1939, sua esposa, amiga e companheira Angélica também falecia. A grande família por eles iniciada conta hoje com 80 netos, bisnetos e tataranetos, sendo alguns dos seus netos e bisnetos profissionais liberais, empresários, comerciantes, produtores rurais e políticos com muitos serviços prestados à comunidade como é o caso dos ex-vereadores Hidalberto Lima e João Lima.

Tárcio Oliveira 
Texto adaptado de "Tuparetama, o Livro do Município" 
Por gentileza citar a fonte e autor ao utilizar essas informações

POR AÍ.... Caminhos do nosso sertão em tempo de invernada (04)










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