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22.1.12

BIBLIOTECA MUNICIPAL RECEBE LIVRO "PRETAS DE HONRA" DO HISTORIADOR TUPARETAMENSE MACIEL HENRIQUE


A entrega de exemplar do livro PRETAS DE HONRA - Vida e trabalho de domésticas e vendedoras no Recife no século XIX (1840-1870) - dissertação do mestrado de Maciel Henrique (Carneiro) Silva em História,  para o acervo da Biblioteca Municipal,  aconteceu na tarde da sexta-feira, 20.  (Clique AQUI para ler entrevista do autor).

Além do atual secretário de Cultura, Esportes e Turismo do município, Ivaí Cavalcante, do escritor e sua esposa Isabela Lucena, estavam presentes na ocasião as funcionárias Luciana e Geralda da Biblioteca/Casa da Cultura, os professores de História Rosângela Leopoldino e Antônio José do Nascimento, a psicóloga Emília Nogueira e noivo.  Veja abaixo resenha sobre o livro.




Escrever sobre o Recife e sua história tem sido uma atividade permanente de muitos pesquisadores que vêem destacado diversos aspectos da vida cultural, social e política da capital pernambucana ao longo de várias épocas. Uma parte consideravelmente importante desse conhecimento histórico já produzido sobre a cidade do Recife, encontra-se na universidade sob a forma de teses e dissertações, trabalhos estes que resultaram de uma extensa e exaustiva pesquisa em nossos arquivos públicos e que revelam muitas facetas desconhecidas de nossa história urbana.

Assim é, por exemplo, o caso da dissertação de Maciel Henrique Carneiro da Silva, um trabalho que vem descortinar o mundo das vendeiras e criadas que circulavam pelo Recife no século XIX. A obra aborda o cotidiano das escravas e libertas que vendiam gêneros diversos pelas ruas da cidade ou que atuavam nos serviços domésticos como mucamas, lavadeiras, engomadeiras e costureiras. Seguindo os caminhos percorridos por estas personagens, o autor nos apresenta um cenário urbano complexo, delineado pelas práticas de sobrevivência dessas mulheres que precisavam, a todo instante, marcar seu espaço, seja através da desobediência deliberada às posturas repressoras do poder público, seja pela apropriação e manipulação de idéias e preconceitos de uma sociedade escravista e patriarcal.

Utilizando um amplo leque de fontes que vai de jornais a processos da justiça, o trabalho de Maciel Henrique, permite ao leitor ter não só uma visão de como era a cidade fisicamente na época, mas também perceber como se davam determinadas relações sociais que marcavam o cotidiano das cativas e libertas no espaço público e privado do Recife oitocentista. Vale destacar, ainda, que o autor empreende uma importante discussão a cerca das representações que a sociedade da época tinha dessas trabalhadoras e de como tais representações influíam na contratação de serviços e eram percebidas pelas próprias vendeiras e criadas.

Trabalhos como o de Maciel Henrique demonstram que a história e, sobretudo, a História do Recife permanece sendo continuadamente escrita. A todo o momento novas pesquisas são produzidas sobre o nosso passado, sobre nossa cidade. Mas este não é um movimento que visa um saber meramente acadêmico. Não. Ele é mais amplo. Está interligado a um outro movimento, o da cidadania. Conhecer o nosso passado, a história de nossa cidade, é conhecer um pouco sobre nós mesmos e sobre os outros. É saber que as coisas não se apresentam simplesmente porque o são, mas que têm um passado, um começo, uma história. / Carlos Antônio Pereira Gonçalves FilhoMestrando em História pela UFPE






4 comentários:

Maicon Herverton disse...

Grande Maciel, um exemplo para Tuparetama, o primeiro cidadão tuparetamense com Título de Doutor em História, parabéns.. Grande conquista...

Hesdras Souto disse...

Parabens nobre amigo Maciel, você, além de um excelente professor e pesquisador, é um ser humano fantástico. E que venham mais livros...!!!

Forte Abraço, Prof. Dr. Maciel Carneiro.

A.J.S. Santos disse...

Maciel Carneiro é um exemplo para todos os jovens de Tuparetama e um orgulho da nossa terra. Um doutor de verdade.

Maciel disse...

Amigos, muito obrigado pela generosidade. Se algo precisa ser dito, é que julgo que devemos articular diversos saberes. Tuparetama me ensinou muita coisa (e continua ensinando); Recife me trouxe experiências únicas também. Todo professor deve estar aberto a esta diversidade, sem preconceitos, fazendo escolhas, propondo ideias e ideais. Vocês todos são meus colegas, e sabem disso. Agradeço também a Tárcio, pela divulgação, e a todos pela presença e lembrança.

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