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11.4.12

NO ANIVERSÁRIO DE 50 ANOS DE TUPARETAMA, A HOMENAGEM DE TUPARETAMENSES ILUSTRES

Nota do blog: Durante estes quatro dias de comemorações estaremos postando textos de tuparetamenses ilustres, escritos a convite nosso, em homenagem a cidade. 



PALAVRAS SOBRE TUPARETAMA

Maciel Henrique Carneiro da Silva

Sou Maciel Henrique Carneiro da Silva. Vivi em Tuparetama até os 18 anos. Não é pouco. Laços familiares, amigos, lembranças, estudos iniciais, primeiras leituras do mundo. E para Tuparetama retorno todos os anos. Alguns parentes queridos já não habitam mais a cidade. Outros amigos próximos moram em São Paulo e em outros lugares do mundo.

Quando volto, sinto certa melancolia ao caminhar pelas ruas. Mas não é a melancolia ‘das ruas’. É a solidão que advém da saudade que sinto de tuparetamenses que, como eu, viajaram para estudar e trabalhar em outras cidades. É a melancolia ‘minha’, é o resultado de elaborações da minha própria memória. Memória que, na verdade, nem deveria ser chamada de minha. É a memória coletiva: pessoas, lugares, grupos, ideias e ideais construídos nestes meus 18 anos, e que não me abandonam. Joaquim Nabuco já disse que a infância marca o adulto de forma indelével. As experiências da infância formam o homem/mulher. Se Tuparetama não tivesse mais nenhum parente meu, nenhum dos antigos amigos e amigas, ainda assim, a minha memória guardaria um lugar especial para as experiências vividas nas ruas, praças, nos sítios úmidos e secos da zona rural.

Por falar em sítios, Carnaúba, Logradouro, Serrinha são as comunidades de minha memória. Fogueiras, São João, seca, sofrimento, alegrias de farinhadas, comidas boas, medo de cobras e maribondos, medo de passar fome, som de cigarras cantando, revoar de pássaros, sol, angústias, desejos. Saudade de minha mãe, irmãos, de tias e tios, de primos, de meu pai. E há sempre aqueles primos de consideração, gente boa, amiga, com quem partilhamos os “treinos” de futebol, conversas amenas, brincadeiras, risadas. Por isso, dificilmente vou construir um olhar analítico sobre Tuparetama, embora meus estudos, minha formação profissional, me permitam revirar algumas de suas histórias. Não. Entre os vãos e desvãos da História, cheios de armadilhas, de perigos, prefiro a memória, gênero que, por ser híbrido, serve tanto à descrição de coisas que aconteceram como serve à ficção, ao sonho, à imaginação.

Sei que os tempos são outros. As ruas até parecem as mesmas, mas sinto uma energia diferente na cidade. Confesso o que já confessei pelas redes sociais, falando com amigos que ainda moram no lugar: não me sinto mais tão seguro na cidade. O avanço das drogas pesadas começa a causar um flagelo de proporções ainda incalculáveis. Mas não quero falar dos tempos atuais da cidade. Deixo isso para os que ainda habitam Tuparetama, alguns deles guerreiros de ideias lúcidas e de boa vontade. Pessoas que, no máximo, posso instigar e inspirar a fazer alguma coisa.

Quero apenas deixar registrado minha memória, meu sentimento de saudade e minha vontade de ver as pessoas do lugar felizes, dentro ou fora de suas fronteiras. Eu sou feliz “fora” dos limites do município. Mas quero ser mais feliz “dentro” de Tuparetama também. Esse negócio de dentro e fora nem deveria existir. E, de fato, não existe na minha memória sentimental. Ser originário de Tuparetama e morar no Recife me torna um pernambucano e brasileiro melhor. Tive, acredito, o melhor dos dois lugares. E tudo isso me forma, constrói minha identidade. Mas não uma identidade fácil e acabada. Ela, minha “identidade”, é como uma roda de carro-de-boi, que vai pegando as marcas e cheiros dos lugares por onde anda: a areia com seus cristais, os barros com suas várias tonalidades, os excrementos das estradas, o cheiro dos matos repisados pelo ferro das rodas.

Tuparetama ainda tem seu barro colado em mim. Mas a vida segue, Tuparetama vai mudando. Vamos mudando todos no grande cordel do mundo.

Dr. Maciel Henrique Carneiro da Silva - Doutor em História; Escritor; Professor.

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TUPARETAMA: MEIO SÉCULO DE HISTÓRIA
Valdir Perazzo Leite

Recebi uma correspondência da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte da Prefeitura de Tuparetama. Presumi o seu conteúdo. Minha irmã, Vilma, por telefone, havia me dito que compareceria às festividades do cinqüentenário de emancipação política do município. Li a mensagem do diligente e a atuante prefeito Sávio Torres conclamando os filhos da terra a comparecerem às comemorações da data festiva, bem como a extensa programação da efeméride.


Lamentei não poder estar presente, em  ocasião tão significativa da vida da minha querida cidade. Animei-me, porém, em pelo menos enviar uma mensagem aos meus parentes, amigos e conterrâneos. Não me lembrava mais da data da emancipação política de Tuparetama. Lancei mão do livro “Tuparetama: O Livro do Município”, organizado por Tárcio José de Oliveira Silva. Lá estava: a inauguração da prefeitura deu-se  sob a liderança de João Tunu da Costa, seu primeiro prefeito, em 11 de abril de 1962.
Continuei folheando as páginas do livro da cidade e fazendo uma retrospectiva da minha própria História. Eu tinha apenas seis anos de idade quando Tuparetama se emancipou politicamente, desmembrando-se do município de Tabira.


Não me lembro das festividades da inauguração da prefeitura. Dou testemunho de outros fatos. Algumas reminiscências. Éramos vizinhos  de seu  Antônio Souto. Na frente de seu comércio – bodega como se dizia – todas as noites as pessoas do seu grupo político, integrantes da UDN, se encontravam para discutirem política. Ali era como um “Senadinho”.
Eis os nomes dos quais me lembro: Manoel Carneiro, Siba, Abílio Leite, Othon Leite, Chico Fernandes, Expedito Marques, e um comerciante (feirante), cujo nome não me recordo agora. Não dou testemunho do conteúdo das conversas. Sei apenas que eram discussões políticas.
Quatro anos depois da emancipação do município eu já participava da luta político-eleitoral, agora pré- adolescente. Lembro-me que em 1966 compareci a uma festa na fazenda de Elias Pessoa.  Ele, seu Elias, estava em campanha disputando o cargo de prefeito. Elegeu-se e ficou no cargo até 1970. Foi sucedido por Abílio Leite.


O tempo dos quais sinto mais nostalgia de Tuparetama situam-se entre o início dos anos sessenta e setenta. Em 1971, com dezesseis anos, fui estudar em Recife, pouco indo a minha terra, depois de involuntariamente deixá-la.  Pois bem, desses dez anos, lembro-me  bem da administração quando era prefeito Severino Souto. O centro da cidade era um canteiro de obras. Montes de paralelepípedos. Ainda não havia luz elétrica. Eu e os meninos da minha geração corríamos pelas ruas escuras de Tuparetama e éramos felizes. Saudades!
A luz elétrica chegou no Governo Paulo Guerra, em 1966.  Construiu-se um palanque na frente da Igreja Matriz. Vários políticos aí compareceram: Walfredo Siqueira, Francisco Perazzo, dentre outros, e o próprio Governador. Com um gesto simbólico do chefe do Executivo Pernambuco as luzes se acenderam. Uma maravilha para meus olhos infantis!


Vaga lembrança tenho  das corridas de cavalos no centro da cidade quando ainda não havia calçamento. A partida era da frente da casa de Seu João Tunu e término na frente da casa de Seu Chiquinho. As cavalhadas. As vaquejadas. As touradas.  As cantorias na Rádio Pajéu. Os circos. Os pungentes aboios dos vaqueiros. O Carnaval de Zé Pretão. Os papangus. A dança do pastoril, ensaiada por Datargnan. A Ave Maria de Shubert na difusora de Seu Severino Souto.  Os bêbados de finais de feira. Os vendedores de folheto de cordel. Os banhos de rio. As enchentes do Pajéu. Os jogos de futebol. O jogo de bila (bola de gude). A subida ao Cruzeiro. As manadas de jumentos em desabaladas carreiras.  As aulas no Ernesto de Souza Leite. A mortalidade infantil anunciada no sino da Matriz. O roubo de galinha na Semana Santa. Enfim, são lembranças que me comovem, passados cinqüentas anos. Quase vou às lágrimas.


Muito diferente é a Tuparetama atual. Cidade toda calçada, belas praças, arborização, escolas, templos, fórum, ginásio de esporte, academias de ginástica, hospital, terminal rodoviário, hotéis, lanchonetes, cemitérios, cadeia pública, postos de gasolina,  estradas asfaltadas, luz elétrica, telefones, computadores, internet, facebook, e tantas outras coisas mais da modernidade.  Uma bela cidade da qual sentimos orgulho!


No cinqüentenário de Tuparetama, quero desejar ao prefeito Sávio Torres e a todos os meus parentes, amigos e conterrâneos, os mais sinceros votos de que a cidade seja por Deus abençoada,  afim de que nela reine paz, desenvolvimento e harmonia entre todos os seus habitantes.


Uma feliz festa para todos os Tuparetamenses! Que Deus derrame suas bênçãos ricamente sobre a cidade e seus moradores! 


Dr. Valdir Perazzo Leite - Defensor Público 

Um comentário:

Anônimo disse...

Valdir,
VOCÊ ESQUECEU-SE DE DIZER QUE: "A luz elétrica chegou no Governo Paulo Guerra, em 1966,” E NO GOVERNO MUNICIPAL DE SEVERINO SOUTO DE SIQUEIRA.
Construiu-se um palanque na frente da Igreja Matriz. Vários políticos aí compareceram: Walfredo Siqueira, Francisco Perazzo QUE TROUXE, dentre outros, e o próprio Governador.” NÃO LEMBRO SE ELES ESTAVAM VINDO DE TABIRA, LEMBRO APENAS QUE O PRÓPRIO FRANCISCO PERAZZO QUE CONDUZIA A COMITIVA DO GOVERNADOR, CONDUZIU-OS POR ESTRADAS VELHAS E ESBURACADAS PARA NÃO PASSAR PELAS NOVAS E BOAS ESTRADAS CONSTRUIDAS PELO PREFEITO SEVERINO SOUTO E SEUS TRABALHADORES. HOJE ESTÃO TODOS NA SEPULTURA.

ENTRETANTO, VOCÊ LEMBROU OPORTUNAMENTE DA FIGURA POUCO LEMBRADA DE ANTONIO SOUTO. “...Éramos vizinhos de seu Antônio Souto. Na frente de seu comércio – bodega como se dizia – todas as noites as pessoas do seu grupo político, integrantes da UDN, se encontravam para discutirem política. Ali era como um “Senadinho”. COMENTAVA-SE HOJE QUE ÂNTONIO SOUTO FOI O FINANCEIRO, INCLUSIVE NA ORGANIZAÇÃO DA PREFEITURA DO GOVERNO NOMEADO (JOÃO TUNÚ).
LEMBRE-SE QUE AS RUAS NÃO ERAM ESCURAS, TÍNHAMOS ENERGIA ELÉTRICA FORNECIDA PELA PREFEITURA COM O VELHO MOTOR ATÉ ÀS 21h30min.

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