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7.9.12

“A Política nos Olhos da Mente” | Por Eva Vilma Souza


Ilust. Raimundo Pajeu 
“Decifra-me, mas não me conclua, eu posso te surpreender”. (Clarice Lispector

Política é um nome forte e poderoso, que define e decide várias maneiras de pensamentos e ações. Há quem diga que ela não se discute mas desconfie dessa frase, pois tudo pode ser falado e coerentemente analisado, a mente existe para ser usada. 

Esta é uma época de disputa de poder, e o poder é fascinante na mesma maneira que aborrece. Também é uma época eufórica de grandes anseios de mudanças no cotidiano de uma população. Surgem calúnias, difamações, agressões psicológicas as quais causam dor na alma, e uma alma adoecida não brilha, envelhece e se maltrata. 

Também é uma ocasião de alegria e porque não? Uma vez que mobiliza a população nas atividades de passeatas, carreatas e discursos. Aonde vibram com a mesma intensidade que se frustram, num misto de sentimentos que muitas vezes nos fazem perder o controle, embora naquele momento o que vale é o ferver das atuações. 

As pessoas se dividem por cores, por amores, dissabores e por eleitores que juntos somam-se a apenas um: o ser humano, aquele que vibra, sente e arde na ansiedade do que ainda não tem domínio de saber. Há aqueles que preferem não mostrar reações, mas que de alguma maneira também vivem esse momento. Não tem como fugir, é um momento de escolhas - se certas ou não só o tempo vai dizer - . 

O fato de não ter escolhido o vencedor ou não sê-lo não define o mérito, a escolha certa nem sempre é a certa, talvez, em algumas ocasiões perder seja o melhor caminho, o joio pode estar maior no meio do trigo. 

É notória a aflição e o estresse, sentimento normal para o momento político. O desejo de vencer espanta todos os medos e demônios, está intrínseco na alma humana e se manifesta a cada momento de luta pela vitória. No entanto, é um momento que pode desencadear alguns problemas psicológicos em determinadas pessoas, porque nem todos reagem da mesma maneira a tantas emoções, nesses momentos tensos e intensos que mexem com a população e seus candidatos.  É preciso atentar para a saúde mental, porque o corpo adoece fisicamente e trata-se rapidamente, mas a alma adoece emocionalmente e daí tudo pode acontecer! Tratando-se de emoção o ego é o maior sofredor nas situações, precisando de cuidados mais especiais. 

Os seres humanos não estão preparados para a perda, não querem perder nada nem ninguém, isso é sofrer e sofrimento causa dor... Porém, é necessário saber que não se perde o que nunca se teve! A realidade é que o homem se faz egoísta e narciso por natureza, não se pode negar, essas são características que se entrelaçam e aparecem com maior teor em épocas de disputas porque é nessa hora que o que se tem de mais “forte e bruto” é colocado para fora, afinal é hora de mostrar “poder”, luta e garra. 

É uma guerra de titãs e consciências, de lideranças que definem seus padrões de atuação de acordo com sua gente. Liderar não é para todos, infelizmente não, porém, todos nascem para vencer, só precisam das oportunidades. É preciso muito autocontrole e muito discernimento para não se perder de si mesmo (Ah! isso é tão difícil meus caros), porque é como dominar uma fera, não é fácil enxergar que seu maior rival é você mesmo! Então, cuidado com sua fera ela pode lhe ferir. 

Não existe a receita pronta, como diz a música Sol de Primavera: “a lição nós sabemos de cór só nos resta aprender”. Aquela verdade que conheço em ti já não existe mais... Essa é uma frase que diz muito de um momento político e por isso é importante não perder a essência e não deixar-se desconsiderar da sua própria existência. 

No tocante, vencer uma disputa política qualquer um pode, agora merecer é que é difícil, então, se não vencer que ao menos faça sua história valer a pena. 

“Somos feitos de carne, mas temos de viver 
como se fôssemos de ferro”. (Sigmund Freud).


Texto de EVA VILMA SOUZA
Especial para este blog

Eva Vilma Souza é Psicóloga
Atende em Tuparetama às segundas, quartas e sextas-feiras
na Clínica Fisiomed  | Rua Ernesto de Souza Leite - Centro


4 comentários:

Joel Gomes disse...

Belo texto da minha amiga, que começa a "desnudar" a mistificação de que "só ricos tem inteligência e capacidade para estudar". Parabéns a Vilma que sabe valorizar o que aprendeu, mesmo com o sofrimento e dificuldades, venceu e demonstra muito bem ter "luz própria".
Joel Gomes

Eva Vilma Souza disse...

Obrigada Joel Gomes pelas palavras de gentileza...Você mais que ninguém sabe da minha luta.
"Nossa luz nunca pode se apagar nem tão pouco fazer sombra para outrem". Grande abraço!

Diana Athenas disse...

Muito bom o texto da nossa amiga Eva Vilma!!

Com relação a esta temática, de fato todo o processo de envolvimento em eleição, partidos políticos, etc. me parece resultar em processos obsessivos, manias, megalomanias...

Ouso dizer até que é a época em que todos colocamos para fora os nossos demônios interiores!
É como se na época eleitoral tivéssemos todos "licença para matar", pra humilhar, para perseguir. Fosse também o período onde os fins justificam os meios e onde todos os princípios são deixados de lado pelos interesses egoísticos.
Alguns casos nem Freud explica! rsrsrs

Grande abraço a Tarcio, por abrir esse canal e para Eva Vilma que demonstrou muito profissionalismo e teve o distanciamento necessário para escrever este ótimo artigo!

Fran Katley disse...

Parabéns Eva pelo posicionamento e clareza, pois acredito "eu" que apenas uma parcela mínima dos eleitores de todo Brasil, sabe que neste tempo de tanta euforia que é o período eleitoral. Muito mais que machucar o nosso próximo, ferimos a nossa alma por algo que na verdade lutamos muito, para se ter hoje o direito de participar intensamente!

Um abraço iluminado e muito sucesso.

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