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21.9.12

DE OLHO NAS ELEIÇÕES 2012: ENTREVISTA COM O CANDIDATO ORLANDO DA CACIMBINHA

Dando continuidade as entrevistas com candidatos a vereador de Tuparetama, chegou a vez de ouvir as ideias e opiniões do sindicalista e produtor rural Orlando Marques. Ex-vereador e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tuparetama (STR), Orlando  tem estreita ligação com as famílias do campo, onde está sua base eleitoral. 

TVA: Vamos começar falando de um assunto que você entende muito e sente na própria pele: como está a situação do produtor e das famílias rurais com esta estiagem? 
Orlando: O que posso dizer é a situação está péssima. A seca que nos assola neste ano de 2012 tem  causado muitas tristezas. Na verdade precisaríamos ter mais ajudas do poder público municipal, como também do estadual e federal para amenizar os prejuízos e sacrifícios das famílias que vivem no campo. O que a gente está recebendo não é suficiente não. Deixa-se a desejar as ações dos nossos governos quanto ao que poderia ser feito neste momento para os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Pode ser que depois dessas eleições o pessoal volte a priorizar o atendimento às necessidades do homem do campo. 

TVA: Como o STR está se mobilizando para ajudar seus associados e suas famílias neste período de estiagem? 
Orlando: Eu digo que o STR tem se mobilizado não só para os associados, mas para os trabalhadores e trabalhadoras em geral, que sofrem com a estiagem. Temos protestado sobretudo contra o modo de partilha de recursos, podemos dizer assim, por parte do governo federal. As ações estão sendo mal vistas pelas pessoas atingidas pela estiagem. Eu acredito até que nós teremos que colocar mais uma vez os trabalhadores e trabalhadoras nas ruas, para reivindicar os recursos que foram anunciados pela presidenta e até hoje pouquíssimas pessoas receberam. 

TVA: Então você está vendo e avaliando como insuficientes as atuações dos governos municipal, estadual e federal no enfrentamento dessa questão da estiagem prolongada em nossa região? Orlando: Bem, minha resposta é exatamente o que já comentei nas perguntas anteriores. Como defensor da classe dos trabalhadores rurais vejo que são pouquíssimas as ações e as despesas que estão fazendo em benefício dessas pessoas. Precisamos de pessoas com um olhar especial para esta gente que é esquecida, de seca a inverno, de inverno a seca. Então posso afirmar que nós trabalhadores rurais gostaríamos que entrassem nos governos pessoas que olhassem com mais atenção para nós. Sabemos todos nós que o governo Lula e agora Dilma priorizou muito o trabalhador rural, bem como as classes pequena e média, mas quando chegam recursos e projetos aos nossos pequenos municípios, o que chega são umas fatias bem pequenas. É necessário que nessas eleições a gente começar ver e acreditar naqueles candidatos que realmente queiram trabalhar em prol dos humildes e pobres. Não dizendo que os que aí estão sejam totalmente omissos, mas que poderíamos ter melhores. Temos que começar a ver e entender que não são todos os candidatos que olham para nossa classe. Nós aqui temos o retrato de que o poder público municipal não está muito interessado nessas pessoas. Temos uma secretaria de agricultura que não olha para esse pessoal como deveria. É bom ficar atento para isso se quisermos melhorar a situação no campo. 

TVA: O que o trouxe de volta à disputa eleitoral? Por que você resolveu concorrer novamente a um mandato na Câmara municipal? 
Orlando: Justamente porque vejo uma carência imensa de homens públicos em nosso município voltados para a questão do homem do campo, do trabalhador e da trabalhadora rural. Nós temos uma Câmara na qual poucas pessoas entre as que ali se encontram olham para o lado do pequeno, eles estão mais interessados em bater palmas para prefeito, aprovar projetos do interesse do prefeito, do que apresentarem e aprovarem projetos que digam respeito primeiramente às necessidades do cidadão mais carente. Então eu senti essa necessidade e estou pleiteando o apoio daquelas pessoas que pensam como eu e querem fazer o mesmo que eu quero. 

TVA: Caso seja eleito, que tipo de propostas você pretende apresentar na Câmara? Pode nos adiantar algumas das suas propostas? 
Orlando: Olha Tárcio, minhas propostas serão relacionadas às necessidades e garantias de direitos do povo. É o povo que nos leva à uma cadeira da Câmara, então a gente tem que escutar o povo, ouvir suas ideias e seus pedidos, discutir soluções e transformar esses anseios em projetos. Eu acredito que chegando lá procurarei apresentar propostas bem analisadas, coerentes, que posam ser executadas pelo gestor e pelo município, mas colocando a vontade do povo em 1º lugar. 

TVA: Seu irmão Fernando Marques, que se destaca na comunidade pelo talento artístico e como produtor cultural, está no palanque adversário, sendo um dos articuladores da campanha de Valmir. Você sente falta do apoio de Fernando na sua campanha? O que faltou para que vocês chegassem a um entendimento? 
Orlando: Eu acho que talvez fosse melhor nem tocar nesse assunto, mas já que a pergunta foi feita, eu não me nego a responder nada, sou o que sou e seguro minhas opiniões em qualquer situação. A gente não chegou a dialogar sobre política em momento algum. Eu nem sabia que ele era político. Mas enfim, ele escolheu votar no grupo do qual sou adversário e isso é uma escolha e um direito dele. Mesmo sendo meu irmão, eu não sabia que ele pudesse ser tão chato e irritante nesse assunto. Eu defendo que todos nós temos o direito de escolher nossos candidatos e nossos partidos, mas acho que não precisava chegar ao ponto que chegou. Eu acho que em alguns momentos ele passa dos limites. Queria até dar um recado a ele: pesar as palavras, ter cuidado no que faz. Eu sei que o povo de Tuparetama entende que ele tem seu lado artístico e seu lado político, mas tem um limite para tudo, quando a gente exagera, uma parte sai prejudicada. Talvez ele já esteja prejudicando sua carreira artística, que é tão importante. 

TVA: E quanto ao seu irmão, Pe. Luizinho, que tem uma atuação religiosa e um posicionamento político muito influente na região, vocês conversam sobre sua campanha? Ele lhe aconselha? Ele apoia sua carreira política? 
Orlando: No caso de Pe. Luizinho, ele sabe que sou dono de mim, não opina que sim nem não, apenas ele não queria que eu entrasse em disputa política novamente pois ele sabe do meu empenho, sabe que quando entro na política entro de corpo e alma. Mas sabe também que eu gosto de respeitar meus adversários e sou respeitado por eles. Tem horas que a gente quer perder a paciência, todos nós temos sangue nas veias.. mas eu rezo, peço a Deus que tudo termine em paz pois somos uma cidade pequena, todos nós nos conhecemos, temos laços de amizades, somos todos quase uma só família. Ele apenas diz "faça sua campanha política do jeito que você sabe fazer". Temos que fazer uma política decente para dar exemplo as pessoas jovens que vem aí, aos nossos filhos e netos. Agora devo dizer que do jeito que muita gente está fazendo política em Tuparetama é um mal exemplo para seus filhos, seus netos. Eu acho que cada um de nós tem que ter o cuidado e a responsabilidade de fazer seu trabalho político de um modo que não vá se arrepender depois. Que mais adiante quando a poeira baixar possa olhar pra trás e não sentir vergonha do que fez ou do que disse. 

TVA: Quais são os maiores defeitos e quais são as principais qualidades do político Orlando Marques? 
Orlando: Meu defeito e minha qualidade é o meu posicionamento político. Eu sou uma pessoa que recebe todo tipo de nome, alguns me chamam “o nêgo da Cacimbinha” outros de “o dedo torado da Cacimbinha”, uns dizem na brincadeira, na amizade, outros dizem com maldade, mas eu não ligo não, eu levo tudo na paz. Sei que por conta do meu posicionamento político eu incomodo a muita gente. Só que essa minha posição faz parte de minha personalidade, e esse posicionamento diante da vida quem me deu foi meu pai. Foi uma pessoa pobre e humilde, que nasceu e viveu na Cacimbinha, criou 11 filhos trabalhando com dificuldade mas graças a Deus viveu e morreu com 93 anos como um homem honrado, de palavra e de posição. Quanta gente nadando em dinheiro que não tem palavra nem honra e envergonha a política do município, da região, até da nação. Então pra mim dinheiro não é tudo, sou pobre, pardo, mas tenho honra e palavra para dizer e segurar o que sou. E tenho poder de decisão sobre minha vontade, em mim ninguém manda, não sou capacho de ninguém. 

TVA: Como tem sido a campanha da sua coligação, a FRENTE POPULAR POR TUPARETAMA. Quais foram os principais desafios e a maiores conquistas realizadas até agora? E Como você avalia o desempenho dos seus candidatos a prefeito e vice, Dêva Pessoa e Ivai Cavalcante? Orlando: A primeira e principal conquista, graças ao bom Pai, é que pegamos uma bandeira caída como bem diz nosso candidato Dêva, e hoje ela está erguida, numa campanha limpa, bonita, sem agredir ninguém, sem denegrir a imagem de quem quer que seja, com propostas, com vontade de trabalhar. Quanto ao desempenho dos meus candidatos Dêva e Ivaí, a avaliação que faço é muito positiva. Algumas pessoas pensaram, no começo da campanha, que essa chapa não ia vingar, não aconteceria. Se referiam a Dêva como um “professorzinho”, um “extensionista do IPA”, um magrelo da cabeça grande... diziam que Ivaí era um professor que só sabia falar em esportes, mas o que vemos hoje é que essa dupla está dando dor de cabeça, essa dupla está inquietando a elite de Tuparetama. Daí a minha impressão, ou melhor, a minha certeza que o incômodo dessas pessoas terá fim no dia 07 de outubro porque não é só a riqueza e as elites que podem governar, nós temos um exemplo no país, de Lula, que saiu do interior de Pernambuco e foi presidente do Brasil. Não foi impossível para Lula e não é impossível para nós ganhar uma eleição em Tuparetama. 

TVA: Que qualidades de gestor público e político você ressaltaria na pessoa do seu candidato a prefeito Dêva Pessoa? 
Orlando: Dêva tanto da sala de aula como ocupando a secretaria municipal de agricultura fez o nome dele. Eu acho que qualquer um que chega a posição que ele chegou e que tem serviços prestados como ele tem, é capacitado para governar. Ele foi um secretário de agricultura que causa inveja a todos. Não quero menosprezar nenhum dos outros que ocuparam esta secretaria, mas a verdade é que o município e sobretudo a zona rural devem muito a Dêva. Agora mesmo, nessa tragédia da seca que está acontecendo hoje no município assim como no nordeste inteiro, se a gente tivesse um Dêva na secretaria de agricultura com certeza os problemas estariam bem amenizados, porque ele teria soluções e alternativas, ia atrás de projetos e recursos. Ele cobra, vai buscar, tem conhecimento dos caminhos e acessos para captar os recursos que a zona rural precisa e para que as pessoas não sofram tanto, o gado não morrer por falta de água e ração, a exemplo desse milho da Conab que está emperrado. Tudo que diz respeito a agricultura, produção rural e desenvolvimento do campo Dêva foi capaz de fazer e será capaz de fazer muito mais e melhor como prefeito. 

Cópia de ficha do candidato Orlando da Cacimbinha, no site do TRE


TVA: O que o eleitor pode esperar de Orlando Marques, elegendo-o como vereador? 
Orlando: Eu não gostaria de me dirigir somente ao eleitor que é trabalhador ou trabalhadora rural, mas a todos que escolherem votar em mim: vocês terão na Câmara de Vereadores um homem sério, honesto, com vontade de trabalhar e de servir, olhando para todos aqueles que votaram nele e também para os que não votaram, pois um vereador trabalha para toda a população do município. Serei também um vereador que vai estar sempre dizendo ao companheiro Dêva que estamos juntos para trabalhar por todos, sem cor e sem discriminar quem votou em A ou em B. Tem que acabar com esse negócio de favorecer quem votou na cor tal ou na cor tal. Eu serei um vereador justamente para condenar essa prática, juntamente com meus companheiros de coligação e com meu prefeito Dêva e meu vice Ivaí. Se vocês acharem por bem colocar na Câmara uma pessoa forte e firme nas suas decisões, podem votar no número 19555. 

TVA: Orlando, muito obrigado pela entrevista e desejo boa sorte e sucesso na sua campanha.
Orlando: Eu agradeço a você Tárcio pelo espaço oferecido e às pessoas que lerem esta entrevista, pela atenção. E conto com o apoio de toda comunidade. Muito obrigado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Orlando é meu primo, cabra macho nordestino. Gostei da sua entrevista meu parente! Muita sorte e sucesso nas eleições.

Simão Pedro - Teresina-PI

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