25.9.12

GERENTE REGIONAL DA COMPESA PARTICIPOU DE AUDIÊNCIA PÚBLICA NA CÂMARA DE VEREADORES DE TUPARETAMA PARA DISCUTIR A CRISE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA



A Câmara Municipal de Vereadores de Tuparetama realizou nessa segunda-feira (24/09) uma audiência pública com a presença da gerente regional da Compesa, Nadja Rejane de Sá,  para discutir o problema de abastecimento de água no município. 

A questão do abastecimento local, que já foi mostrada várias vezes neste blog, agravou-se nas últimas semanas com o prolongamento da estiagem e o aumento do racionamento para atender também a cidade vizinha de São José do Egito. Na semana passada a gerente concedeu uma entrevista ao comunicador Josemar Rabêlo na Rádio Comunitário Bom Jesus quando justificou as ações recentes da Compesa e alegou que a cidade de Tuparetama não tinha problemas sérios de abastecimento de água nas residências. 

As declarações da gerente causaram mal-estar e revolta entre grande parte da população, pois alguns bairros da cidade estão há mais de 3 semanas sem água nas torneiras. 

Atendendo a solicitação da Câmara de Tuparetama, a gerente compareceu novamente à cidade, desta vez para ouvir as queixas dos moradores desabastecidos e responder às indagações dos vereadores. Das 19:00 às 21:30 horas Nadja Rejane respondeu a todas as perguntas, questionamentos e críticas apresentados. 

A audiência contou também com a presença do Promotor de Justiça desta Comarca, Dr. Diego Albuquerque, de representantes das escolas da rede estadual de ensino (Cônego Olímpio Torres e Ernesto de Souza Leite), da escola municipal Francisco Zeferino Pessoa e de moradores de bairros com falta de água. 

Podemos resumir a audiência nos seguintes itens

1- A crise de abastecimento de água não é exclusiva em Tuparetama. É geral, em toda região do Pajeú, é grave e tende a piorar.

2- As previsões oficiais sobre chuvas na região para os próximos meses e para o próximo ano são pessimistas. Tudo indica que teremos mais um ano de estiagem pela frente. 

3- O racionamento de água é inevitável, em Tuparetama e em todas as cidades do Pajeú e este racionamento deverá aumentar nos próximos meses.

4- A melhor coisa a fazer, no momento, é comprar ou construir reservatórios de água nas residências. Isso é muito importante também para facilitar o abastecimento de água com carros-pipas, caso sejam necessários mais adiante. 

 5- É preciso que as pessoas colaborem para que a situação não fique ainda pior do que se prevê: denunciar vazamentos; cobrar bom atendimento dos funcionários da Compesa e agilidade (0800-081-0195 e Ouvidoria, no site da empresa (AQUI), evitar desperdícios, educar-se para o uso consciente da água, compartilhar com quem tem menos água. 

6- O sistema de abastecimento de água de Tuparetama, apesar das suas limitações, já está sendo utilizado para abastecer a cidade de São José do Egito. Este compartilhamento deverá perdurar até final de novembro, data prevista para a finalização da adutora independente da Barragem do Rosário até a cidade egipciense. 

A crise de abastecimento de água nos municípios do Pajeú, que se mostra tão grave e com possibilidades reais de piora, se deve sobretudo a gestões políticas no mínimo omissas. Açudes municipais estão assoreados, a Barragem da Cachoeirinha (Ingazeira) continua emperrada, sem “sair do papel”, plantações continuam sendo irrigadas com água da Barragem do Rosário, algumas sem autorização oficial, há uso indiscriminado de agrotóxicos (que contaminam solo e açudes), há desvio e roubo de água na zona rural e falta efetivo policial suficiente para coibir esses crimes, os sistemas de abastecimento das cidades, da Compesa, são antigos, insuficientes, defasados, alguns quebrados ou sucateados. Em Tuparetama por exemplo, as primeiras redes de encanamento, da década de 70, ainda estão sendo utilizadas, mas são encanações de amianto, material hoje proibido por estar comprovado que causa câncer. 

As queixas são muitas e não são de hoje... Há muito o que fazer, há muito o que aprender com os erros do passado e com os males do presente.

Que somos um povo ainda não educado para o exercício da cidadania e o uso consciente da água é uma observação que não pode ser negada: A crise de água aflige mais da metade da população de Tuparetama, no entanto não havia mais de 40 pessoas no auditório da Câmara, apesar da audiência ter sido divulgada em carro-de-som pela cidade e nas rádios comunitárias. Na manhã de hoje, quando fazia minha caminhada, uma senhora lavava sua calçada com baldes de água limpa...
















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