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10.10.12

ELEIÇÕES 2012 EM TUPARETAMA: E UMA NOVA GERAÇÃO DE POLÍTICOS CHEGA AO PODER


Foram mais de 24 horas de comemoração, das 18 horas do domingo (07) após o resultado final da eleição, entrando pela madrugada e se prolongando até 11 da noite da segunda-feira. 


Dêva chora emocionado
Certamente tivemos a campanha eleitoral de Tuparetama em que mais se usou a palavra “histórico” ou “da história”: animadores dos dois grupos que disputavam a prefeitura municipal e as 9 cadeiras da Câmara descreviam suas atividades como “o maior arrastão da história”, “a maior carreata da história” “ o comício histórico” etc.... pode-se duvidar dos cálculos feitos e do aparente exagero de cada um, mas não há como negar que o município – e a cidade em especial – vivenciou nos últimos dias acontecimentos que ficarão marcados para sempre na sua história, com a eleição de Dêva Pessoa para prefeito e a chegada ao poder de uma nova geração de políticos, em sua maior parte dentro da faixa etária dos 20 aos 40 anos. 

A trajetória da campanha que elegeu os professores Dêva Pessoa e Ivaí Cavalcante para prefeito e vice já é por si só um enredo singular. 

Divididos e desarticulados, os partidos de oposição competiam entre si para definir quem lançaria a chapa majoritária. Chegou a serem cogitadas duas candidaturas, o que seria uma espécie de suicídio. Há poucos dias do prazo final de registro de candidatos, havia a probabilidade de não se lançar candidato a prefeito, apesar da persistência de Dêva Pessoa e Joel Gomes. 

Foi então que aconteceu o primeiro “movimento do destino” a favor da campanha da oposição: num erro de estratégia ou excesso de confiança, o grupo político da situação, do prefeito Sávio Torres, deixou escapar de sua base os aliados PCdoB com o então secretário de Cultura Ivaí Cavalcante e o PT com Danilo Augusto e a incansável militância do partido. Pouco valorizados onde estavam, Ivaí acabou eleito vice prefeito e Danilo do PT conquistou seu primeiro mandato como vereador.

Eleitores de Valmir observam decepcionados a festa dos adversários
Uma “lugar comum” em política é dizer que não se ganha eleição antecipadamente, o que vale mesmo é o voto na urna e até lá tudo pode acontecer. Esse pensamento foi uma das respostas que o prefeito Sávio Torres me deu, quando eu aleguei, por volta de abril, que, com sua popularidade e índice de aprovação de governo, ele poderia indicar e eleger qualquer candidato como sucessor. O que parecia uma vantagem se mostrou um grande problema: a indicação de Valmir Tunu para candidato a prefeito criou um mal estar com a família do vice atual e candidato a vice de Valmir, Romero Perazzo, tido como “candidato natural” a sucessão de Sávio Torres desde 2008. Incapaz de unir a família insatisfeita, Romero Perazzo viu pela primeira vez nos seus muitos anos de disputa eleitoral seu grupo dividido, com uma parte dele declarando apoio ao candidato da oposição, Dêva Pessoa. 

Enquanto a campanha de Dêva Pessoa tomava fôlego e corpo nas reuniões de base, nos encontros comunitários e nas visitas domiciliares, a campanha de Valmir Tunu padecia dessa traiçoeira sensação de “já ganhou”, sobretudo por parte do seu eleitorado. Não devemos menosprezar nossos adversários, por menores ou pouco ameaçadores que pareçam, e certamente poucos acreditaram que aquele grupo de jovens, “sem experiência”, "sem base eleitoral”, “sem dinheiro para gastos de campanha” e “sem tradição” pudesse reverter ou sequer igualar os números da derrota na eleição anterior. 

Comemoração na frente da Igreja Matriz
Não acompanhei de dentro o percurso de nenhuma das duas campanhas nem sei de fato o que se passou nos bastidores, mas em algum momento a campanha da Frente Popular por Tuparetama mostrou que estava pronta para brigar não por uma derrota digna mas pela mudança do governo municipal. Este momento histórico (olha a palavrinha aqui de novo) se deu, pelo meu registro, no comício de 01 de setembro. Foi então que os coordenadores da campanha de Valmir Tunu perceberam de fato o avanço dos adversários. 

A resposta veio no comício seguinte, que denominei de Tsunami amarelo. A Coligação Tuparetama Cada Vez Melhor encheu as ruas da cidade com seus eleitores dispostos a mostrarem, finalmente, a força, a organização e o poder de decisão. 

Mas a campanha de Dêva Pessoa já havia deslanchado e como uma avalanche vermelha arrastava consigo tudo aquilo que faz uma campanha vitoriosa: a adesão de grupos familiares e eleitores indecisos; os insatisfeitos com o governo Sávio Torres cada vez mais confiantes numa possibilidade real de vitória; o apoio de maior parte dos eleitores jovens – sempre ávidos por mudanças- e dos intelectuais, em grande número jovens, independentes, universitários, morando fora do município e sem vínculos com a prefeitura. E Dêva Pessoa com seu grupo já contavam, desde o início, com uma base sólida de apoio das famílias do campo. 

Deixando de lado a análise de grupos com suas estratégias de campanha e voltando-me exclusivamente para os dois candidatos, sem desmerecer as qualidades de Valmir Tunu - entre elas a simplicidade, a humildade e a paciência (pois é certo que Valmir aguentou inúmeras e impiedosas piadas, críticas e humilhações sem revidar) - ficou evidente no entanto, a meu ver, uma superioridade de Dêva Pessoa em quesitos necessários para um político, como popularidade, carisma, autonomia e capacidade de comunicação, com talento para discursar e articular ideias de maneira clara e convincente. Eu também acho que as crianças são um bom indício do candidato que “agrada” mais e elas estavam em maior número nas passeatas e manifestações da campanha de Dêva Pessoa. 


Considero mais fácil analisar a campanha da Frente Popular por Tuparetama (Dêva Pessoa e Ivaí Cavalcante) do que a campanha da Coligação Tuparetama cada vez melhor (Valmir Tunu e Romero Perazzo), não porque aquela foi a vitoriosa, mas porque não encontrei respostas satisfatórias para muitas perguntas que me fiz em relação a campanha derrotada. Não é comum um grupo da situação perder o comando, sobretudo quando entra numa disputa com cerca de 90% de aprovação do seu trabalho. Podemos ser simplistas e dizer que nem todas as respostas estão disponíveis, nem tudo é de fácil compreensão, sobretudo com a política. Podemos ainda recorrer ao obvio, afinal de contas: “foi o povo, em sua maioria, que decidiu assim”. 

Aguardei dois dias para escrever essas observações, tentando fugir do calor da agitação do momento. Fui ouvir alguns protagonistas, li os desabafos, as críticas, as lamentações e os gritos de vitória dos eleitores na rede social que marcou esta campanha, o Facebook... o certo é que na vitória todos são parte dela mas na derrota ninguém quer receber sua cota de culpa. 

O certo, também, é que, sem desmerecer ou diminuir qualquer participação importante de políticos, lideranças e famílias tradicionais na vitória de Dêva Pessoa, ele representa um grupo jovem e independente que ousou sonhar novos caminhos, novos modelos e novos rostos para a política de Tuparetama. Esse grupo surgiu há 8 anos e tem agora as rédeas do poder e todas as responsabilidades que ele exige. O desafio seguinte desta nova geração de governantes tuparetamenses é evitar erros. Como disse o prefeito eleito para 2013-2016 no seu discurso de agradecimento, “Vocês acreditaram em mim e eu não tenho o direito de errar”.

VEJA SLIDE COM FOTOS DA COMEMORAÇÃO DA VITÓRIA DA FRENTE POPULAR POR TUPARETAMA, no domingo, 07 de outubro: 




VEJA SLIDE COM FOTOS DAS COMEMORAÇÕES NA SEGUNDA-FEIRA, 08 de outubro:



Um comentário:

Alicson disse...

Tácio vc esta de parabéns pela sua imparcialidades na forma de dar a noticia, mesmo sendo criticado foi firme.E em relação a politica em si, está ai o resultado de tanta prepotência dos nossos adversários, em fim A ESPERANÇA VENCEU O MEDO.

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