9.1.13

OPINIÃO | Como foi o programa de rádio em defesa do ex-prefeito Sávio Torres

Na falta de bons argumentos, “a melhor defesa é o ataque”. Esta foi a máxima utilizada pela improvisada “tropa de choque” em defesa do ex-prefeito Sávio Torres. 

Seus correligionários de longa data como os vereadores Tanta e Arlan, o ex-secretário e candidato derrotado Valmir Tunu e o correligionário de última hora Fernando Marques utilizaram cerca de 60 minutos da programação da Rádio Comunitária Tupã-Fm para “encher linguiça”, destilar revolta e esticar os 14 minutos de gravação enviada por Sávio Torres de Recife. Em pauta a denúncia da atual gestão municipal de uma dívida de 2,5 milhões de reais deixadas pela administração de Sávio, de salários atrasados e de órgãos públicos com falta de equipamentos ou equipamentos sucateados. 

As participações ao vivo dos citados defensores de Sávio Torres foi, de modo geral, desnecessária e até mesmo cômica. Embora nos cause uma certa comoção perceber a força da amizade e da fidelidade desses amigos de Sávio Torres – e nós conhecemos os verdadeiros amigos nessas horas de adversidade- no mais seria melhor que Arlan, Tanta, Valmir e Fernando Marques ficassem calados ouvindo – e aprendendo- com Sávio a arte da comunicação e da argumentação. Bastariam os 14 minutos de sua gravação, que embora não tenham explicado nem justificado todas as denúncias feitas, pelo menos percebe-se que o ex-prefeito sabe do que está falando e sabe como falar. 

Mas mesmo Sávio Torres, que costumeiramente demonstra equilíbrio e tranquilidade quando discursa, na sua gravação seguiu a máxima “para se defender, ataque” . E tome ataque ao prefeito Dêva Pessoa. Sávio disse, entre outras coisas, que Dêva não tem equilíbrio e que está fugindo da raia, com medo de atender as pessoas. Chamou, ainda, Dêva Pessoa de irresponsável. 

Seguindo os passos do líder, os outros oradores, sem condições de argumentar contra as denúncias divulgadas esta semana, patinaram sobre informações incompletas e exageraram nos ataques. Arlan Markson centrou sua artilharia contra os assessores diretos de Dêva, chamando-os de xeleléus de má índole. O vereador Tanta jogou as pedras em Dêva mesmo, chamando-o, entre outras coisas, de “menino de recado”, “desacreditado” e criticando o fato de Dêva ter dado entrevistas às rádios e blogs da região: “ele dá mais entrevistas que Barack Obama”. 

A irritação e o ciúme de Tanta contra a popularidade de Dêva Pessoa são indisfarçáveis. Aumentaram ainda mais na solenidade de posse de Dêva, dia 01, na Câmara de Vereadores. Foi uma noite humilhante para Tanta. A cada momento em que usava o microfone da mesa a multidão do lado de fora, acompanhando tudo por um telão, gritava num só coro vaias e provocações do tipo “sai daí alma sebosa” “cala a boca derrotado”. Para piorar, Tanta perdeu naquela noite a presidência para seu principal adversário, Joel Gomes. Destemperado, Tanta exigiu, horas antes do início da solenidade, que os funcionários da câmara retirassem a ornamentação feita para o evento, por causa dos tecidos vermelhos utilizados. Vermelho foi a cor da campanha de Dêva Pessoa. 

Quanto ao programa de rádio, que prometia dar explicações à população, ficou devendo o que prometeu. Pelo menos Sávio Torres anunciou que faria outro programa quando estiver novamente na cidade, após sua viagem de férias. Disse que fará o programa com a participação de seus assessores técnicos e jurídicos. Aconselho que ele dispense o auxílio verbal dos seus atuais porta-voz.  É melhor para Sávio, para a civilidade e para nossos ouvidos, que Tanta, Arlan, Fernando e Valmir se limitem a ficar nos bastidores, aplaudindo e balançando a cabeça. 

Tárcio Oliveira

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