24.5.13

POETA MANOEL FILÓ SERÁ O GRANDE HOMENAGEADO NO BALAIO CULTURAL DE JUNHO



O Balaio Cultural de Tuparetama, com mais de dois anos de edições ininterruptas, sempre no primeiro sábado de cada mês, continua se sobressaindo na região pela qualidade e diversidade da sua programação.  O poeta Jorge Filó resume em poucas palavras a importância do evento:  "O Balaio de Tuparetama serve de alavanca para promoção e difusão da autêntica cultura do povo sertanejo, mais precisamente, do sertão do Pajeú. O repentista, o declamador, o cantador, o forrozeiro... todas as nossas manifestações se vêem privilegiadas nestes encontros de pura poesia"

Na edição de junho próximo, dia 1º, os organizadores do Balaio e artistas convidados homenagearão o poeta Manoel Filó. A família do poeta estará presente, com a confirmação da esposa, filhos, netos, irmãos, sobrinhos. O poeta Jorge Filó, filho do homenageado, colocou no seu blog: "Será um encontro de comemoração à poesia, de exaltação ao poema e a todos os grandes mestres desta arte... Todos serão bem vindos!"

SOBRE O HOMENAGEADO:  

MANOEL FILÓ por Zelito Nunes 

"Cantar devia ter sido 
Minha primitiva escola 
Ter os dedos calejados 
Dos arames da viola 
Cantar como o xexéu preto 
Na solidão da gaiola" 

Manoel Filomeno de Menezes, Manoel Filó, nasceu no dia 13/10/1930, na fazenda Taboado no então município de Afogados da Ingazeira. O Taboado situa-se a uns cinco quilômetros do povoado de Jabitacá, contemplando a Serra da Carnaíba que faz fronteira com a Paraíba e na época era propriedade de Chico Cazuza e dona Mariquinha que era tia do poeta.

Mariquinha era irmã de Tereza Maria de Jesus mãe de Manoel e mãe do também poeta Heleno Rafael, "Heleno de Tia Mariquinha" como carinhosamente nós o chamávamos. Maria de Jesus visitava a irmã, quando foi acudida nas dores do parto, quando veio ao mundo o poeta Manoel que foi mais um dentre os doze que viriam.

Ainda criança foi morar com os pais o poeta José Filó e dona Tereza, no pequeno ainda hoje, povoado de Mundo Novo, um lugar de várzeas e riachos fecundos, perdido entre os municípios de Ouro Velho na Paraíba e São José do Egito, em Pernambuco.

Poeta por vocação e cigano por instinto, Manoel passou a vida se mudando, tendo morado dentre outras cidades, em São Paulo, Recife, Paulo Afonso, Monteiro e Arcoverde, (havia se mudado há três meses, para a cidade-mãe da poesia, o seu porto mais seguro, São José do Egito).

Foi empresário bem sucedido no ramo de autopeças, mas a sua natureza de poeta, não lhe permitia conviver com o espírito do lucro, vivia distribuindo o que juntava, com os mais necessitados ou não, por isso a sua vida foi toda de altos e baixos até o fim quando partiu levando somente uma alma de cara limpa, as mãos vazias e um coração pleno de bondade e poesia.

Não foi um grande cantador por que não quis, (seguramente por uma questão de generosidade, para não ofuscar o brilho dos companheiros). São da sua lavra, dentre muitos outros:
Respondendo a uma "deixa" de Job Patriota:
Job: "inseto tem feito coisas que a gente às vezes estranha" 
Filó: "No sertão tem uma aranha
De uma qualidade escassa
Que tapa a sua morada
Com lã da cor de fumaça
O tecido é tão perfeito
Que a chuva bate e não passa".

Com Manoel Chudu:
Chudu: "Essa morena é bonita Como a flor da açucena" 
Filó: "O corpo dessa morena
É macio igual a fuba
Tem a beleza tocante
Do leque da carnaúba
Cheirosa igualmente à pinha
Que o papa-sebo derruba"

O padre Assis, um italiano radicado há muitos anos no Pajeú, grande admirador dos poetas populares e hoje vigário de Tabira, segundo o poeta e seu velho companheiro, Zé de Cazuza, costumava chamá-lo sabiamente de "Manoel Filósofo". Quem contestaria?
"Não me vem pelo desejo
Tudo aquilo que espero
Não quero as coisas que vejo
Não tenho as coisas que quero"

O poeta na sua bondade e grandeza, soube como poucos, transitar no meio dos jovens e generosamente passar para eles os seus ensinamentos. A sua convivência com os mais novos, produziu bons frutos e deixa herdeiros que não fariam vergonha ao mestre, dentre outros, estão: Jorge Filó, seu filho, poeta e cordelista, autor do excelente livro/cordel, A IGREJA DO DIABO. José Paes de Lira Filho - Lirinha do CORDEL DO FOGO ENCANTADO. Felizardo Moura - POETA E APRESENTADOR de festivais de cantoria e seu companheiro mais constante. Antônio Marinho do Nascimento - poeta declamador e autor do livro de poesias, NASCIMENTO.

[Leia mais sobre Manoel Filó em INTERPOÉTICA ]

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