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3.9.13

OPINIÃO | Dr. Renato Granjeiro escreve sobre A CRISE DA SAÚDE NO BRASIL

Os médicos não deveriam se irritar com a presença dos cubanos, pior é conviver com alguns colegas picaretas, mau caráter, esses sim são responsáveis pela situação de desprezo e discriminação que os médicos vem passando, sendo chamados de Mauricinhos e Patricinhas de jaleco branco.

A população vive um momento de revolta contra a classe médica e a maior parte da culpa é nossa. Não devemos temer a presença dos cubanos pois cada um de nós tem seu lugar de trabalho da forma que o conquistou. Na verdade, o que está errado é a maneira como esses profissionais serão introduzidos no mercado de trabalho, de forma ditatorial, passando por cima dos conselhos de classe, ignorando-os, e enganando a população fazendo dos médicos cubanos uma espécie de falsos super-heróis, como se os mesmos conseguissem fazer aqui o que os brasileiros não conseguem e/ou não querem. Sem esquecer que essa também é uma medida eleitoreira e que há a possibilidade de parte desse dinheiro que está indo para Cuba retornar no período das eleições em 2014.

Na verdade,o problema não é somente a falta de médicos, isso é uma parte do problema. Quem é o profissional que quer se especializar, que aprende a fazer uma medicina de qualidade e quer voltar para o interior para exercer uma medicina medíocre que não oferece recurso nenhum para o médico exercer o que aprendeu?

Quem é o profissional que aprende o que é certo e quer ir para o interior, ainda que com salários atrativos, cometer iatrogenias por falta de opção, que de plantão quando chega uma emergência tem que "jogar" o paciente dentro de uma ambulância onde na maioria das vezes não tem a mínima condição de viajar, e sai estrada a fora sem saber em que ponto do caminho aquela vida vai se acaba...? Sem contar que todos estão correndo risco de vida nessas viagens que não tem hora para acontecer pois na unidade onde se encontrar de plantão não há, geralmente, um mínimo de condições para se iniciar um primeiro atendimento?

Isso não deveria ser interpretado como "arrogância" por parte dos profissionais ao se recusarem em vir trabalhar no interior e sim como atitude de coerência, de não querer cometer erros por falta de recursos. Recursos estes que não são adquiridos por desinteresse dos políticos. Os médicos preferem ganhar menos e viver num lugar onde encontram melhores condições de trabalho para por em prática tudo aquilo que aprenderam nos anos e anos de estudos. 

A figura dos médicos do interior deveria ser vista de outra forma, pois nós fazemos o possível e o impossível para com os pacientes. Quem nunca ouviu falar que ainda temos colegas arriscando seus CRM'S tomando atitudes que os conselhos não permitem, como por exemplo, dentro de um bloco cirúrgico, um mesmo médico fazer a anestesia e a cirurgia, sem a presença de um anestesista, na tentativa de evitar transferir uma paciente para uma outra unidade distante? Mas diante do momento que estamos vivendo, sendo alvos de todas as criticas, ninguém é capaz de reconhecer tal atitude, que eu diria "heroica" embora ilegal, pois, explico melhor, um médico não pode fazer uma cirurgia e ao mesmo tempo se responsabilizar pela anestesia. Mas na tentativa de ajudar, eles fazem. Se der certo não passa "de sua obrigação" e se der errado serão crucificados. 

Diante de toda essa situação, nós que somos profissionais responsáveis e compromissados com a vida nos sentimos extremamente agredidos pela forma como estamos sendo tratados. Estão distorcendo a imagem dos profissionais do interior e isso reflete em todos. Não podemos pagar pelo erro nem pela falta de compromisso de alguns, essa situação não deveria ser generalizada e as pessoas poderiam diferenciar a falsa intensão de ajudar por parte dos governantes, pois não será a vinda dos médicos cubanos que vai resolver o problema da saúde do interior. Não se faz mais medicina sentado atrás de uma mesa, apenas com caneta e um pedaço de papel.

Dr. Renato Granjeiro

Um comentário:

Anônimo disse...

Quem é o profissional que quer se especializar, que aprende a fazer uma medicina de qualidade e quer voltar para o interior para exercer uma medicina medíocre que não oferece recurso nenhum para o médico exercer o que aprendeu?

Quer dizer que os menos favorecidos, a gente de nossa terra(o interior), deverá ficar ao Deus dará?, ou receber a ajuda dos médicos estranegeiros?
Cubanos, portugueses, Argentinos o que sejam, a verdade é que, UM MÉDICO, ao lado DO PACIENTE E DA COMUNIDADE FAZ A DIFERENÇA,EM QUALQUER SITUAÇÃO ....

No seu juramento de formado, será que foi só para atender em hospitais de alta tecnologia , e deixar onde realmente as pessoas estão morrendo, por cólera, dengue , malária, ou seja, doenças que não precisam de uma aparelhagem moderna para ser diagnosticada nem tratada,pelo fato de serem desfavorecidas de terem nascido e viverem em um desses requintos do Brasil, estarem condenadas a morrer por falta de atendimento e da presença de um médico?

Acho que está faltando mais Humildade e compromisso por parte de muitos médicos elitistas brasileiros, que afirmam a necessidade de só poder ser feita a medicina em grandes centros, e com alta tecnologia, tbm não acredito que isso estava no juramento que foi feito no dia de suas formaturas.

Com um lápis, uma caneta,( não sentado atrás de uma mesa)... mais sim olhando nos olhos do paciente, tocando e perguntando onde dói, colocando seu ouvido e atenção nas enquietudes do mesmo, com respeito,e vontade de ajudar , eu acredito que SIM , se pode fazer muito.


E REPITO, minha opinião: UM MÉDICO, ao lado DO PACIENTE E DA COMUNIDADE FAZ A DIFERENÇA,EM QUALQUER SITUAÇÃO...

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