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12.10.13

MARIANA TELES | Reflexões sobre a infância e a criança que vive dentro de nós

Por Mariana Teles no Facebook


Hoje é dia das crianças, e ocasionalmente algumas coisas se misturam dentro de mim . É interessante o quanto determinados pedaços de tempo e de história ficam presos na nossa alma e parece que foi tudo ontem. Mas comigo foi mesmo, foi tudo ontem. Parece que eu acordei gente grande, mas ainda não aprendi a dormir com a luz apagada. 

Meus sonhos ainda são latentes em mim, e o ácido da realidade que eu vivo ainda não conseguiu tirar o doce do pão que eu comia ao fim da tarde com o café com leite que só quem sabe fazer é minha mãe. É que ele tem tempero de infância e se misturou em mim. Hoje ele é o que blinda minha alma do sal do mundo e dos humanos. 

Eu não tive galinha pintadinha, viagem pra Disney, barbies... na realidade eu nem sabia o que era Disney... mas tudo bem, isso são linhas de um outro texto. O certo é que eu sou muito da menina que eu fui, pés no chão, mas alma nas nuvens. Eu sempre quis abraçar o mundo com as mãos dos sonhos. E continuo querendo... A minha infância foi do meio do mato para os alpendres da casa grande cheia de redes onde se curavam cansaços e se balançavam sonhos... Não me recordo de um único sonho de infância, eu tinha vários... Mas me recordo de alguns pesadelos com nomes que ironicamente vieram a se tornar sonhos mais na frente. 

Eu tinha um anseio absurdo de crescer rápido, a minha liberdade gritava aos quatro cantos da minha alma e isso me fazia uma danada impulsiva que pouca coisa calava. Eu tenho medo que o tempo me tire a menina Mariana, me tire a fé no mundo, no outro e que os bastidores da vida me façam literalmente ''gente grande''. Eu nunca quis muito, nunca briguei por boneca ou por canal de televisão. Eu tive-tenho na realidade, três pais, um que fez minha mãe esposa e dois que a fizeram mãe, e os quatro estão na parte mais doce da memória da infância. Eles que ouviram o primeiro choro e souberam calá-lo, hoje escutam o atual pranto e continuam calados, mas conseguindo me calar também. 

Da infância da menina que queria ser atriz, jornalista e presidente do Brasil, restou uma juventude que continua querendo muito, mas fazendo mais ainda. Conversando com minha sobrinha de oito anos agora a pouco, ela me perguntava se o dia das crianças era importante para os adultos, e eu, como sempre, pega mais uma vez nas perguntas complicadas de Dona Maria Eduarda não a respondi de imediato, mas digo, o dia das crianças é importante para quem é, para quem foi e para quem nunca vai deixar de ser... Porque nos faz pensar (quem consegue, é claro) no tanto de coisas boas que guardamos na gente e soltamos aos ventos na caminhada da vida, que muitas vezes tem desenhos, mas nem sempre são animados. 

Agora, enquanto escrevo olho para um relatório de uma ação de pedido guarda de uma criança, e mais uma vez eu vejo e sinto o quanto ''ser criança'' vale. Enquanto se é objeto de ação, também se é de amor... E aí me vem a certeza do quanto a minha infância foi minha. Perdoe a má organização das ideias, como eu disse no começo, algumas coisas se misturam dentro de mim... Feliz dia do ''e foram felizes para sempre...'' 



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