¹

28.12.13

MÉDICOS DO HOSPITAL DE ARCOVERDE DENUNCIAM SITUAÇÃO CAÓTICA DA UNIDADE DE SAÚDE


Demonstrando bastante indignação com a forma como vem sendo tratado os diversos problemas no Hospital de Arcoverde, onde escolheram a classe médica como bode expiatório, alguns médicos que trabalham naquela unidade resolveram lançar um documento onde fazem sérias denúncias, inclusive com fotografias, de como está sendo tratada a questão saúde na unidade. 

Déficit das escalas de plantão, equipamentos quebrados, falta de medicações e de manutenção da estrutura, além da ausência de diálogo entre patronato e funcionários. Esses são alguns dos problemas que foram encontrados no Hospital Regional de Arcoverde, no Agreste de Pernambuco, durante uma vistoria realizada no último dia 11 pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e discutidos em uma reunião entre o sindicato (Simepe) e o Cremepe na segunda-feira (23). 

Para o presidente do Simepe, Mario Jorge Lôbo, a situação do Hospital é precária. Ele defende que não adianta pôr a culpa nos médicos se a gestão da unidade de saúde não mantém os serviços em condições dignas. “Essa é a realidade do sucateamento dos hospitais regionais do Estado. É fácil responsabilizar os médicos pelos problemas, quando não se tem o compromisso por parte da gestão”, comentou. 

Na opinião de alguns médicos do Hospital Regional, a situação chegou ao limite. Os profissionais exigem melhores condições de trabalho e investimentos para o hospital, mas não acreditam que a gestão possa apresentar soluções para os problemas existentes. Por conta disso, a categoria pensa em realizar um movimento demissionário, sob alegação “que não serão coniventes ao descaso da unidade de saúde, para não serem responsabilizados pelo mau atendimento prestado a população

O Diretor do Simepe, Tadeu Calheiros, defende o engajamento da categoria de reivindicar melhorias reais para o hospital e respeito com os profissionais que se desdobram para manter o funcionamento da unidade de saúde, mesmo diante de uma situação tão adversa. “Existe a preocupação com a resolutividade do hospital. Os médicos não são os culpados pela precarização do hospital, na verdade, eles e a população são igualmente vítimas e reféns do descompromisso com a saúde, principalmente no interior do estado”, pontuou Tadeu Calheiros. 

Um ofício foi elaborado pelas entidades durante o encontro, com o intuito de solicitar uma reunião com a Secretária Estadual de Saúde de Pernambuco (Ses-PE) e outro requerendo uma audiência para discutir a situação do Regional com o Ministério Público (MPPE). 

LEIA o documento assinado por alguns médicos que trabalham no Hospital Regional Dr. Rui de Barros Correia:

SITUAÇÃO DO HOSPITAL REGIONAL RUY DE BARROS CORREIA
DE: MÉDICOS INDIGNADOS DE ARCOVERDE. 

Diante dos últimos acontecimentos em nível nacional, diante da forma com que a classe Médica vem sendo destratada, diante do extremo descaso com a saúde da população por parte do poder público, diante do efeito maléfico que a desinformação tem causado em todos os níveis da sociedade; alguns Médicos tiveram a iniciativa de confeccionar este documento. 

Inicialmente vamos esclarecer que nenhum dos Médicos que endossam este documento tem qualquer envolvimento politico-partidário, e que o objetivo é dar ciência às entidades representativas da real situação em que vive hoje o Hospital Regional Ruy de Barros Correia – Arcoverde (HRRBC). Esperamos com isso que alguma providência legal seja tomada, pois fatos graves estão acontecendo diariamente nesse nosocômio. 

Queremos deixar claro que somos totalmente a favor de qualquer medida moralizadora, que busque a melhoria do serviço e discipline a conduta de servidores descompromissados. Mas não admitimos a generalização, que por conta da irresponsabilidade de alguns todos são tratados de forma injusta e desrespeitosa. Sabemos que há Médicos irresponsáveis, relapsos e que desonram a profissão, mas apesar de numerosos não são a maioria. Temos excelentes profissionais em nossa cidade, grandes Médicos que não estão satisfeitos com essa realidade. 

Vamos enumerar agora os motivos pelos quais nos indignamos diariamente no HRRBC, por isso não aceitamos a imputação da responsabilidade pela desgraça do sistema de saúde especialmente em nossa cidade: 

1. O último grande investimento feito neste hospital foi entre os anos de 2004 e 2006, com a construção da UTI, a instalação da Tomografia, aparelhos novos de Radiografia e USG. Toda aparelhagem da UTI, a Tomo, os novos aparelhos de Radiografia e USG foram doados pela empresa Phillips, o Estado se encarregou de preparar o espaço físico e as instalações necessárias. Nesse período o Estado não investiu sequer na manutenção do que foi dado de graça, os erros de instalação foram enumerados e os reparos solicitados várias vezes à Secretaria Estadual de Saúde (SES), mas não fomos ouvidos. Resultado: perdemos a Tomografia, dos 6 leitos da UTI apenas 2 funcionam hoje de maneira precária (falaremos mais abaixo), há 3 anos um dos aparelhos grandes de Radiografia da Emergência está quebrado. 

2. Voltando a falar da UTI, temos que registrar o descaso absurdo em relação a este serviço por parte da SES, mesmo estando ciente de todos os problemas. Se fôssemos seguir as orientações das normas técnicas do Ministério da Saúde e de organismos internacionais esta UTI dificilmente ainda estaria funcionando. Frequentemente a antibioticoterapia é interrompida por falta da medicação, nutrição adequada não existe industrializada ou artesanal, a maior parte dos equipamentos eletrônicos e ventiladores mecânicos não funciona. Hoje 27/12/2013 há apenas dois leitos funcionando, por falta de Respiradores Mecânicos quatro leitos estão desativados. 

3. A ingerência política local é extremamente prejudicial ao HRRBC, pois não se leva em consideração critérios técnicos para ocupação dos cargos. Neste caso a SES permite uma aberração, pois há funcionários terceirizados contratados para funções burocráticas (atividade meio) exercendo função de técnicos de enfermagem (atividade fim). O desvio de função é praxe e não exceção neste Hospital. 

4. Por critério ”desconhecido” o HRRBC foi colocado sob intervenção, uma Médica de Recife, a Sra. Iaracy Soares de Melo, assumiu o hospital sem nunca ter pisado aqui e absolutamente sem nenhum diálogo dirige este estabelecimento à sua maneira, assina como gestora do HRRBC e não há nenhum controle sobre sua carga horária. Ausenta-se e reaparece quando bem entende, e na sua falta deixa uma assistente (Sra. Alessandra) sem nenhum poder de decisão, que finge não saber de nada, apesar de frequentar este nosocômio há aproximadamente 1 ano e 10 meses, por ordem do próprio secretário (Dr. Figueira) como nossa apoiadora institucional. O resultado é que falta medicação, material e manutenção deixando o hospital numa situação CALAMITOSA, aumentando muito o sofrimento da população. 

5. Outra mostra do descaso das autoridades: nos últimos 9 anos houve 3 concursos para Médicos em 2004, 2009 e 2013. Não houve NENHUM concurso para a enfermagem, resultado: déficit muito grande destes profissionais. Isso sem falar nos outros profisionais como Psicólogos, Fisioterapêutas, Nutricionistas, Fonoaudiólogos, Farmacêuticos,… 

6. Há dois anos não tínhamos NENHUM Farmacêutico nem Nutricionista, e apenas duas Fisioterapêutas. Após várias solicitações foi autorizado contatar, a título de prestação de serviço, 1 Farmacêutico, 1 Nutricionista e 2 Fisioterapêutas, que permanecem nessa situação até hoje. Nesse período não foi providenciado sequer contrato por tempo determinado para esses profissionais 

7. O bloco cirúrgico atualmente só tem um carro de anestesia funcionando parcialmente, ou seja, apenas cirurgias de Emergência podem ser feitas, e claro orando a Deus para o sucesso do procedimento. As outras duas salas de cirurgias estão interditadas, não temos sala de recuperação pós-anestésica e a nossa maternidade, que é responsável por cerca de pouco mais de 200 partos/mês NÃO TEM NEONATOLOGISTA e em alguns dias da semana não tem sequer Pediatra de plantão. A principal sala de Cirurgia (sala A) tem um gotejamento permanente do condicionador de ar bem em cima de uma das tomadas, já as salas B e C tem reparos na parede com reboco aparente. Temos 3 autoclaves, mas apenas 1 funciona, os outros dois estão sucateados e com a fiação e engrenagens expostas. Tudo isso é inadimissível, principalmente em um ambiente cirúrgico. 

8. Este hospital está sobrecarregado, as cidades da região tem uma capacidade de resolução muito baixa, o que se torna um problema a mais e de difícil resolução. Há situações exdrúxulas como o comportamento de alguns motoristas de ambulância que desembarcam os pacientes nas ruas em redor do hospital para não ter que esperar a resolução do caso, inclusive gestantes. Fatos relatados pelos pacientes. Não temos como vigiar as ruas do entorno, nem como provar tal atitude, mas frequentemente pacientes provenientes de algumas cidades como Ibimirim, Venturosa, Buíque e Pedra se queixam com uma boa dose de indignação. 

9. Outro comprovante de descaso da SES é o baixíssimo repasse de verba para o HRRBC, não cobre os custos e limita muito a ação da comissão de licitação, que frequentemente não tem dotação orçamentária para trabalhar. R$ 269.000,00 por mês não sustenta um hospital desse porte, complexidade e capacidade de resolução, principalmente com uma UTI, que não recebe verba suplementar. 

10. Podemos afirmar com segurança que hoje este hospital, com o que a SES nos oferece, é “INADMINISTRÁVEL”. Nós sabemos que há Médicos muito ruins, mas a classe toda não pode estar sendo culpada, não defendemos o coorporativismo incondicional. Nosso objetivo é denunciar e solicitar abertura de procedimento investigativo para apurar a fundo responsabilidades, inclusive de Médicos, mas o Estado também tem que responder, pois sua responsabilidade é bem maior com esse caos que hoje vivemos no HRRBC. 

Sugestões: 

1. Aumento do valor do cofinanciamento em pelo menos 50% do valor atual (citado acima). 
2. Fim da ingerência política para nomeação da diretoria, concurso mediante seleção simplificada, com lista tríplice como é feito para escolha do Gestor da GERES. 
3. Capacitação do escolhido para assumir a direção com um mínimo de conhecimento administrativo, diminuindo a chance de erros que tragam prejuízo ao Estado e à população. 
4. Concurso urgente para o pessoal da Enfermagem – Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem. 
5. Contratação de outros profissionais essenciais para uma boa assistência como Fisioterapêutas, Farmacêuticos e Nutricionistas. 
6. Fechamento temporário da UTI + reforma e equipamentos, que se adequem às normas vigentes. 
7. Abertura de procedimento investigativo para apurar responsabilidades e avaliar penalidades, tanto de Médicos como do Estado. 

Os que assinam esta carta não concordam com o que está acontecendo, e achamos injusta a generalização pejorativa com se referem aos Médicos atualmente. Ter um registro no CRM é uma coisa, ser Médico exercitando um dom, amando o que se faz e respeitando profundamente o próximo é outra, está na hora de separar o joio do trigo. 

Antecipadamente agradecemos a atenção dispensada, e esperamos ansiosamente seus posicionamentos. Obrigado! 
Arcoverde, 27/12/2013. 

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...