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30.1.14

CRÔNICA DA SEMANA - NOSSOS POLÍTICOS, HERÓIS INCOMPREENDIDOS E DEPOIS ESQUECIDOS?



"Alegoria da Justiça" obra deste blogueiro|  Reconhecemos com justiça os esforços dos nossos políticos?
Nesta quinta-feira a prefeitura de Tuparetama inaugura a Unidade de Saúde José Luciano de Lima, obra iniciada na gestão anterior e somente agora concluída.  O belo e grande novo centro de atendimento médico é um mini-hospital e graças a gestão atual foi incrementado com mais benefícios, como uma sala de reabilitação, até então inexistente no município.

A homenagem a José Luciano de Lima é merecida e adequada.  Prédios públicos e ruas da cidade  costumam receber nomes de cidadãos sem qualquer relação direta com o espaço, em geral por interesse ou conveniência política,  por se tratar de alguém ligado a família “tradicional”, com grande número de parentes (eleitores) ou, não raro, com recursos financeiros acima da média da população local. José Luciano teve significativa atuação política na região (sub-prefeito, vice-prefeito e  vereador), mas fez um valioso trabalho de assistência a doentes e carentes da localidade,  atuando como “agente de saúde polivalente” num tempo em que não havia hospitais nem postos de saúde em Tuparetama e consulta médica – distante e cara - era privilégio para poucos.

Por algumas vezes nesta semana me vi na obrigação de explicar a alguns jovens quem foi “Seu Zé Luciano” e como foram felizes os gestores da saúde de Tuparetama pela escolha do seu nome para o novo equipamento público, construído no centro administrativo da Rua Farmacêutico Aleixinho, onde antes ficavam o Centro Social Bom Jesus e o Rotary Club, imóveis construídos através do então deputado estadual filho da terra, Francisco Perazzo.

O fato de ter que explicar “quem foi e o que fez”  José Luciano pela comunidade, para os mais jovens e até para alguns adultos mais esquecidos, me fez refletir como é ingrata e pouco recompensadora a “missão” do homem público, do político.  Já que está em moda avaliar “custo-benefício”  lá fui eu avaliar se vale a pena o sacrifício do político.  Não vale!  Temos por hábito execrar nossos políticos mas eu cada vez mais me convenço de que exercer um mandato político é um ato heróico.

Eu, se pudesse, ergueria pelo menos uma estátua de cada prefeito de Tuparetama em praça pública e no pedestal de cada uma, sem exceção,  escreveria em letras douradas “Muito Obrigado pelo sacrifício.” Não convivi diretamente com todos os prefeitos de Tuparetama, não sou tão velho assim, mas tive o privilégio de conhecer todos eles (alguns na minha infância) e de trabalhar para todos os gestores de 1986 até agora (Pedro Torres Tunu: 2 mandatos; Vitalino Patriota: 3 mandatos; Sávio Torres: 2 mandatos e Dêva Pessoa – 1 ano de gestão.  Não há como não ter admiração pela coragem e pelo desprendimento de cada um, independente dos seus defeitos e limitações.

Indago aos meus miolos que determinação é essa que esses homens tiveram/tem e que curiosa força os manteve/mantém determinados em cumprir sua “missão”.  Mesmo que se fale da tal ambição pelo cargo, pelo poder, pelo aplauso, pela conquista,  o preço cobrado é muito alto. É um massacre da vida pessoal e familiar que começa durante a campanha e se estende por todos os dias, comuns, santos e feriados,  nos 4 anos de mandato.  Nesse longo martírio o gestor não tem como usufruir de privacidade, horário próprio,  projetos particulares,  amor, repouso.  É, em geral, massacrado pela oposição que ressalta e realça seus erros, suas falhas, seus defeitos e  deslizes e pouco reconhecido pelos correligionários que em bom número espera benesses, privilégios.  Quando acerta, não faz mais que sua obrigação.  Quando é elogiado, o motivo é muito mais por bajulação que compreensão do seu esforço.

Todos os ex-prefeitos de Tuparetama estavam muito melhor fisicamente, psicologicamente e sobretudo financeiramente antes de conquistar e exercer o mandato que depois dele. Dêva Pessoa, coitado, já envelheceu cinco anos em 12 meses e sabe Deus quantos neurônios desconectaram-se naquela cabeça grande.  Todos os ex-prefeitos de Tuparetama, e o atual, Dêva Pessoa, não embarcaram na aventura de administrar um município carente e limitado de recursos como o nosso pelo salário, pelo título ou pelo simples desejo de “mandar”. Tenho plena convicção de que a motivação foi, e é, fazer o melhor pela terra e pela gente que aqui vive.  O preço é alto: cobranças infundadas e infinitas, reclamações justas e injustas, exigências legais e ilegais, malabarismos partidários, contorcionismos financeiros... e uma vida pessoal  suspensa.

Vale a pena?  Só o tempo e a história, que requer um bom distanciamento do presente,  dirão o que ficou de toda essa doação pessoal.  Em geral esquece-se dos seus atos. Por sorte sobreviverá na memória de alguns, ou num livro posterior, um feito marcante, um lance de sorte que dará algum colorido no seu currículo. 

Talvez cada um seja lembrado no futuro, depois de mortos, por uma estátua sem arte na praça da cidade, ou pelo nome num prédio público.  Dependerá, ainda assim, da boa vontade de alguém para explicar aos mais novos a importância que teve seu trabalho, como acontece agora com José Luciano de Lima.

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Tárcio Oliveira
Tuparetama, janeiro de 2014.

Um comentário:

Aldvany ( Danda) disse...

Parabéns pelo comentário. Concordo...

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