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6.4.14

ARTIGO DE JOEL GOMES: ESPERANÇA RENOVADA

Novamente as esperanças afloram os olhares simples, singelos e honestos dos sertanejos e sertanejas de mãos calejadas pelas chuvas que caem e começam a forrar nosso chão com o verde lençol da mais linda paisagem. 

Mas, e agora que não temos mais animais para pastarem a jitirana e o capim que brota desta maravilhosa terra, talvez, um dos mais férteis solo do Brasil (quiçá, do mundo)? E agora que o Pajeú começa a levantar-se do marasmo que viveu durante os três últimos anos de secas, sem amedrontar o “pássaro fura-barreira” (que tanto cantou Zé Marcolino), como irá fornecer suas “traíras, pirambebas, piaus, piabas (torradinha com uma lapada não tem melhor)? 

Esqueçamos os “mandins” que há muito não se vê no meu amado Rio Pajeú. Como poderemos povoar novamente o Rio Pajeú de peixes para que possam os sertanejos encher o bucho de “pirão-de-peixes”? Até o Rio Pajeú está morrendo e pouco ou nada se faz para salvá-lo. 

As secas, um problema secular como diz Magno Martins em seu registro Reféns da Seca, tem seus currículos anotados desde a época de Antônio Conselheiro e muito pouco foi feito para anular os efeitos causticantes que massacram esta gente.
[Rio Pajeú como se avista da ponte em Tuparetama. Um exemplo da triste situação do rio que dá nome à região: margens desmatadas, soterrado, poluído e seco pela falta de chuvas. "Esquecido" pelos governantes e pela população, o Pajeú pede socorro. ]

A Barragem de Ingazeira (ou Cachoeirinha) dá-nos esperanças, porém, será a solução definitiva em relação aos efeitos advindos deste ciclo real de desastres que provoca a natureza contra nossa região? Será que a culpa de tanta lata d’água na cabeça não está relacionada à falta de vontade política? Cadê nosso gado, nossos bodes e cabras, cadê nossas galinhas e perus, cadê nossas ovelhas, nossos peixes, nosso Rio Pajeú? 

A resposta é simples – padeceram com a seca. 

Verei um dia, com a visão me proporcionada pelo majestoso Deus, de que ainda teremos governantes que, humildemente, olhem-nos com o mesmo olhar que dedicam a outras regiões; Que não nos deixam imaginar que somos diferentes dos demais povos brasileiros; Que os milhões destinados a construírem monumentosos estádios de futebol se destinem a acabar com a miséria da sede e do lamento de quem há séculos implora socorro; Que os recursos públicos não se misturem com os dos políticos - (será que verei mesmo ou isto é uma utopia?).

Joel Gomes  
Vereador de Tuparetama - PE

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