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2.2.16

COLABORAÇÃO | O VOTO CERTO


*Por El Diablo

É prática comum na política brasileira e, sobretudo, no interior de Pernambuco, os cargos e empregos serem “rateados” após a eleição do prefeito entre as pessoas de sua confiança e que por consequência tenham lhe dado o voto que lhe garantiu a vitória para o poder executivo.

Vale ressaltar que confiança não tem necessariamente que implicar competência, e é ai que a coisa começa a complicar... Tenho observado de perto a dificuldade e limitação administrativa de muitos secretários, equipes de governo e cargos comissionados que são escolhidos pura e simplesmente por terem dado o seu voto ao candidato eleito ou por fazerem parte de algum grupo que “negocia”, “discute” e “troca” favores por empregos. Quando se consegue aliar a conveniência com a competência, é uma bênção! Quando não, é um verdadeiro fracasso... E quem mais sofre com isto? A população, claro!

Uma boa equipe pode mudar para melhor a imagem de um político ruim e um político bom não pode fazer muito com uma equipe ruim. Este é um fato contra o qual não resta muito para se discutir. O mais absurdo, é constatar que após tantos anos de “democracia” a política brasileira ainda vem sendo pautada pela ótica do “jeitinho”, do “arrumadinho” e da “panelinha”. Ora, se não se pode oferecer cargo público de confiança a alguém que não votou no candidato eleito ou não comunga com suas ideologias administrativas e políticas, porque não investir em uma equipe mais técnica e menos política?

A resposta a esta pergunta pode estar justamente no incômodo que o profissional competente desperta em muitos setores partidários deste país. Infelizmente para muitos políticos ser competente gera contestações desnecessárias e leva a inconvenientes que podem trazer questionamentos e falta de credibilidade a sua gestão. Sim, assim como ser professor, ser competente em qualquer que seja a área de atuação neste país é muitas vezes estar fadado ao esquecimento desvalorização profissional. É como dizer que “fulano é bom demais pra mim...” ou “Fulano é muito inteligente, por isto mesmo não serve! Chama um menos competente porque fica mais fácil manipular e comandar”. É triste, mas é assim que funciona na maioria das vezes.

Batemos no peito e dizemos que somos um povo contestador por natureza, contestador até que alguém “pise no nosso calo”, daí deixamos de ser contestadores e passamos a ser chatos e inconvenientes. E nesta história, vamos perdendo nossos talentos, deixando partir os nossos filhos para melhores oportunidades de emprego em outros lugares e vendo esmorecer nossas esperanças. O povo, este continua lá. Entra político, sai político, começa-se acordo e encerra-se acordo e povo lá, refém destas estratégias históricas e destes desmandos absurdos.

Em ano eleitoral, mais uma vez voltam a se desenhar os cenários políticos, os novos/velhos acordos, as conveniências e conivências eleitoreiras e na hora do “vamos ver” mais uma vez a pergunta que teima em persistir é:
-Doutor, arrume um emprego pro meu filho.
-Agente pode vê... Mas me diga, você e ele vão votar em quem? Porque você sabe, o emprego só sai pra quem der o voto certo!

Portanto, cuidado com a sua resposta meu caro leitor. Se acaso o seu voto tiver a falta de sorte de ser o voto errado, você pode se dar muito mal. Então surge outra pergunta que não quer calar, é melhor votar “certo” e estar preso ao comodismo ou votar “errado” e ficar em paz com sua consciência?

[]

(*)  El Diablo é pseudônimo. 
O texto enviado por email veio com a seguinte explicação: 
"Prezado Tárcio Oliveira, tudo bem?
Sou um leitor assíduo e profundo admirador de seu multi trabalho artístico. 
O motivo de não revelar minha verdadeira identidade diz respeito puramente a questões 
de cunho pessoal, profissional e de segurança, por este motivo resolvi 
adotar este pseudônimo. Estou lhe enviando este texto em anexo que escrevi 
recentemente e ficaria imensamente feliz se você pudesse avaliá-lo e, 
se possível, publicá-lo em seu Blog. *** Ressalto que o texto não tem 
objetivo algum de denegrir ou agredir diretamente qualquer 
político tuparetamense em específico. Trata-se tão somente de minha 
impressão pessoal diante do contexto político brasileiro que temos hoje.  
Grato, El Diablo"


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