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28.4.16

DOUTOR EM HISTÓRIA, TUPARETAMENSE MACIEL HENRIQUE SILVA LANÇA NOVO LIVRO NESTA SEXTA-FEIRA EM RECIFE


Intitulado “Nem mãe preta, nem negra fulô”, o livro escrito pelo professor de História do Campus Recife, Maciel Henrique Silva (Maciel Carneiro), resgata a abordagem de questões como as raízes escravocratas do trabalho doméstico no Brasil, a informalidade característica da relação entre a empregada e o patrão, que muitas vezes transita entre a afetividade e a exploração.

A obra é o resultado de um trabalho de quatro anos de pesquisa desenvolvida pelo docente durante seu doutorado História Social na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Seu livro faz um retorno ao passado - mais precisamente ao período entre os anos de 1870 a 1910 - para investigar a formação do trabalho doméstico num país que começava a se libertar da escravidão. O professor recorre a jornais, legislação e registros policiais da época para reconstruir as origens de um processo que permitiu que a herança escravista se fizesse presente nas casas brasileiras ainda no século XXI.

“O título do trabalho afirma uma resistência, uma negação à imagem da “mãe preta”, associada à docilidade, àquela pessoa da família”, e da “negra fulô”, objeto de desejo dos patrões. Essas imagens permeiam o imaginário da literatura brasileira, em obras de Gilberto Freyre e José Lins do Rego, por exemplo, mas escondem um conflito”, afirma. De acordo com o professor Maciel Henrique, a informalidade e a falta de regulamentação dessas relações trabalhistas ajudaram a criar o estigma de submissão presente no trabalho doméstico.  LEIA MATÉRIA COMPLETA CLICANDO AQUI 

Em outra matéria sobre o livro publicada hoje no Caderno Viver do Diário de Pernambuco  (As sombras da senzala - Relações de posse, exploração e conflito entre empregadores e trabalhadoras domésticas do Recife são investigadas em livro - CLIQUE AQUI PARA LER )  Maciel respondeu a perguntas da jornalista Larissa Lins sobre o trabalho realizado:

Quais os dramas pós-abolição mais frequentes?
Restaram os mitos de docilidade e submissão do tempo da escravidão, a violência, a exploração, o preconceito racial no mundo das empregadas domésticas, a desregulamentação em matéria de direitos, a noção de que o trabalho doméstico deveria ser precário mesmo, porque é realizado por mulheres, em geral, negras. Restou a ideia de que o trabalhador doméstico precisa ser grato e submisso, porque é “de casa”, “quase da família”. Restou a dificuldade de organização das trabalhadores e trabalhadores domésticos como entidade de classe.

Em que atitudes atuais podemos perceber a posse dos patrões?
Vejo o sentimento de posse como algo que, hoje, pretende se dissimular, mas que está lá sob facetas: 1- Perpetuar a noção de “quase da família”. 2- Horários imprecisos. 3- Dormir na casa de patrões. 4- Exigir de trabalhadoras e trabalhadores o cumprimento de tarefas não previstas no acordo. 5- A posse física, o assédio sexual da parte dos membros masculinos da casa, considerada “natural”.

Quais as contribuições desse tipo de publicação para a sociedade?
Esses relatos ensinam sobre a mentalidade patriarcal e escravista que antigos senhores mantiveram, que a formação de uma classe é história longa, que os grupos tidos por honrados, se não conseguiram manter a escravidão por mais tempo, contudo, tentaram continuar formas de dominação e controle sobre dependentes oriundos da escravidão. Ensinam que formas de resistência se insinuavam da parte de trabalhadoras domésticas que aprendiam que o paternalismo não garantia segurança.




SERVIÇO
Lançamento do livro  Nem mãe preta, nem negra fulô 
Quando: sexta-feira, 29 de abril, às 19h
Onde: Livraria Cultura do Paço Alfândega (Rua Madre de Deus, s/n, Bairro do Recife)
Quanto: acesso gratuito
Informações: (81) 2102-4033


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