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6.10.16

NÚMEROS DEFINEM PLACAR DE JOGO? Analisando as eleições 2016 em Tuparetama – Parte 2


Por Tárcio Oliveira

Tuparetama é um município pequeno em população e extensão territorial, dos menores de Pernambuco. A cada Censo constata-se que o crescimento populacional da Princesinha do Pajeú não decola e fica ali patinando entre 7 e 8 mil habitantes. Mas há uma solução pra isso, caso considere-se como uma falha o município ter poucos habitantes: bastaria que houvesse eleições todos os anos! Nada aumenta mais neste lugar quanto o número de eleitores. Observe-se que no intervalo entre 2012 e 2016 chegamos à impressionante marca de 783 votantes a mais.  Temos hoje 8.353 eleitores para uma população estimada pelo IBGE de 8.159 habitantes! Que coisa "engraçada", temos mais eleitores que habitantes!   

É instigante analisar os dados disponíveis no tribunal eleitoral sobre as duas últimas eleições realizadas em Tuparetama. Para tal aumento do número de eleitores, contribuem obviamente os jovens que completaram 16 anos, mas descontando-se tais jovens, descontando-se também os finados (e como morre gente em Tuparetama, não é? cruz credo!) as crianças e os que partem para morar fora, por motivos diversos como estudo, casamento, trabalho...de onde raios brotam tantos novos eleitores tuparetamenses? Onde estão? Onde se escondem? Como vivem? 

A questão torna-se ainda mais intrigante se observarmos que esse número de novos eleitores é mais que suficiente para eleger um prefeito! E são eleitores fiéis, dispostos a votar, visto que o percentual de abstenção nas nossas eleições praticamente não mudou em relação a 2012, ou seja, ficou na faixa dos 15%.

Evidentemente o incentivo e “apoio” ao registro e/ou transferência eleitoral em Tuparetama é uma prática de todos os políticos, ou para dizer mais claro, dos dois grupos políticos antagônicos.

Foram 4 anos à caça incansável de novos eleitores e à conduzi-los como bezerros sagrados para o altar do cartório eleitoral em São José do Egito. O raciocínio lógico leva a crer que quem foi mais eficiente na ‘caça’ e adulou melhor esses eleitores ganhou mais votos em 2016. Se o raciocínio pode ser comprovado ou não, já é outra questão. 

Qual seria o propósito dessa corrida por transferência de votos, essa moderna reconfiguração do velho “curral eleitoral”, qual? A busca do poder pelo desejo de poder mais ou a tentativa de efetivação de um plano de governo transformador e democrático? Hum... talvez os dois objetivos, pois há boas intenções nas propostas dos candidatos. Em geral são propostas avulsas que algumas pessoas consideradas mais hábeis nos grupos escrevem. Temos uma série de promessas para aquilo que supõem faltar no município ou que a seu ver solucionaria tal carência. E depois? depois das eleições são facilmente esquecidas, até porque não temos o hábito de fiscalizar e cobrar o cumprimentos das propostas apresentadas pelos nossos candidatos. Levanta a mão aí quem leu e analisou as propostas de governo dos dois candidatos a prefeito deste ano em Tuparetama? 

Não, nós preferimos encarar as eleições e estas eleições como se estivéssemos num eterno campeonato de futebol, tomando partido do nosso partido como se nossa vida e redenção dependessem exclusivamente da vitória sobre o adversário. 

"Vai que é tua!"
Como num jogo de futebol parece que damos pouca importância se o jogo é limpo ou sujo, de poucas ou muitas faltas e penalidades. Elogiamos o jogo bonito mas na prática a teoria é outra: o que vale no final das contas é apenas o placar favorável. E como num jogo, vibramos com a vitória, choramos, abraçamos, gozamos a sensação de potência sobre o oponente abatido. Como num jogo, os mais exaltados até chegam a escorraçar, botar pra correr e até bater nos torcedores derrotados. 

Depois – para continuarmos usando a figura do futebol - voltamos para nossas casas e para nossa rotina desigual, de carências e de serviços públicos insuficientes ou falhos. E tudo permanecerá igual até o próximo “jogo” para que desafoguemos as mágoas dos fracassos pessoais, surdos ao apelo da sensatez, de rojão na mão. Para cada gol um tiro, cada tiro reforçando o silêncio ensurdecedor sobre as disputas que realmente importam, aquelas disputas que exigem não time contra time, mas time com time, mesmo que em campos opostos.

Referimo-nos à disputa por trabalho e renda; desenvolvimento sustentável; lazer de qualidade; moradia digna e saneamento; segurança alimentar; combate a todas as formas de violência, de exploração, de corrupção e de mau uso dos recursos e dos bens públicos; apoio a agricultura familiar e às formas de convivência com o semiárido; cultura como expressão de identidade e de valores não somente como festas e eventos pontuais; mais saúde; mais educação... enfim, mais tantas outras motivações para nossa mobilização e nosso envolvimento político. 

É por isso e para isso que elegemos nossos candidatos. Não apenas prefeito e vice prefeito, mas também os 9 vereadores. E eis que chegamos na 2ª pausa das nossas análises, quando trataremos da nova próxima composição da câmara de Vereadores de Tuparetama. 

( Continua na Parte 3 )

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