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8.11.16

ARTIGO - Hábitos culturais dos brasileiros estão em baixa, mas tem gente nadando contra a correnteza

Por Wellinton Batista*
No blog LEITURAS, TUPARETAMENSES E AFINS

70% dos brasileiros pesquisados não leram um único livro em 2014, revela pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro sobre os hábitos culturais, feita em 70 cidades de nove regiões metropolitanas. A leitura de livros caiu de 35% para quase 30% dos entrevistados.
O uso da internet, facilitado pelos smartphones é apontado na pesquisa como um dos responsáveis pela queda na leitura, principalmente entre os jovens. 55% dos brasileiros responderam que não fizeram nenhuma atividade cultural em 2014. Em 2013, essa porcentagem era de 49%. Os frequentadores de cinema também diminuíram. Já as idas ao teatro dobraram em relação a 2009. Mas, ainda assim, 89% não assistiram a uma peça sequer entre 2013 e 2014. A resposta da maioria dos entrevistados é que eles não leem ou não frequentam atividades culturais por falta de hábito. Mas, para os pesquisadores, a situação econômica do país também interfere no lazer dos brasileiros e muitos consumidores concordam com isso.
Focando na leitura, podemos encontrar algumas reflexões, como a do ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, que em 2015 afirmou:  
“É de uma gravidade enorme a questão da leitura. Termos 1,7 livro per capita / ano é uma vergonha. É abaixo do índice de leitura de vários países vizinhos com índices de pobreza maior do que o do nosso país. O Brasil, sétima economia do mundo, nunca deu a importância necessária à leitura. É um índice muito baixo para que a gente não fique preocupado, como nação. Devemos levar a leitura para campanhas semelhantes à do Fome Zero (programa que originou o Bolsa Família) e a da paralisia infantil”.
Juca disse que quando foi secretário municipal de Cultura de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad, ficou chocado ao ser informado por um colega de que dos 12 milhões de moradores da capital paulista, 5 milhões são analfabetos funcionais, ou seja: sabem ler, mas não captam integralmente o teor do que leem.
Em outra fonte o autor Gustavo Foster analisa:
“Sem ler, país tem dificuldades de discutir com profundidade. As consequências de ter uma população que não lê é que o Brasil apresenta muita dificuldade de discutir questões um pouco mais complexas. Especialistas lembram que o processo de leitura estimula habilidades cognitivas. Sem elas, é difícil praticar ações como se colocar no lugar do outro, pensar em soluções criativas para problemas do dia a dia, ir a fundo em debates éticos, apresentar como argumento fatos de outras épocas e lugares. Em resumo, ao não ler, o Brasil se torna um país raso.”   

Agora, para citar alguns bons exemplos locais:

Mesmo diante da realidade desfavorável, entre 2014 e 2015, uma dupla de leitores da Biblioteca Municipal de Tuparetama leu 82 livros (contando só os da biblioteca municipal...): Antônio Ferreira De Melo Neto (57 livros) e Ana Maria de Sales (25 livros).       
Agrupando-se essa dupla a outros leitores, podemos chegar aos seguintes números: aproximadamente 30 pessoas leram praticamente 500 livros, entre 2014 e 2015. (aproximadamente 8 livros e meio por ano para essas 30 pessoas)
E isto, só com relação aos empréstimos. Ou seja, se considerarmos também a quantidade de livros lidos na sede da biblioteca (que não precisaram sair emprestados) e outras leituras feitas por eles fora da Biblioteca Municipal, os números podem nos surpreender ainda mais. 
Vale ressaltar que não foi feita uma corrida / competição de quantidade de livros lidos, mas foi pelo prazer, espontaneidade, compromisso pessoal, da família... Aliás, alguns destes não leram apenas por ler e pronto. São considerados leitores atuantes: também produziram e contaram histórias (autores), participaram de apresentações e outras atividades como dança, contação, leitura, escrita e reescrita.
Periodicamente jovens e adultos também marcaram presença com seus respectivos interesses. Por exemplo, o pessoal preparando-se para concursos, vestibular / ENEM, estudantes universitários, profissionais em geral e o pessoal da melhor idade.  
Agora, calcule aí: só nas 3 edições do FLIT (Festival Literário de Tuparetama), quantas oportunidades de se participar gratuitamente de variadas atividades culturais ocorreram em Tuparetama? E se citarmos os 3.500 cordéis produzidos e distribuídos sem custo algum para os autores nem para os leitores, de 2013 a 2015?
Além de outras iniciativas da Secretaria de Cultura e Biblioteca como A Hora Da História, Tuparetama Tem História (resgatando e refletindo-se sobre vários aspectos da história do município), Caravana da Cultura, Biblioteca nas Feiras, Café Memória e Café Literário, oficinas de poesia, apoio aos artesãos, exposição de artes, de livros, etc. 
É importante considerar consequências do contexto local e da realidade nacional para observarmos com equilíbrio, ou seja, embora haja muita coisa para se fazer também há pequenas e simples ações que podem representar avanços.     

Confira fotos e mais informações: 











* WELLINTON BATISTA é professor 
e atual Coordenador da
Biblioteca Pública Municipal 
Escritor Monteiro Lobato

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