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8.11.17

A REDAÇÃO DO ENEM E A REFLEXÃO SOBRE A SURDEZ QUE ASSOLA O PAÍS

Ilustração: Raimundo Pajeú

Por: Professor Damião dos Santos
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O tema da redação do ENEM nos remete, não tão somente à questão da surdez patológica, a dificuldade de ser ouvido. A surdez do alunos frente ao professor em sala de aula. O professor chega na sala, aula na "ponta" da língua. Ninguém escuta, ninguém ouve. Surdez total. Terceiro ano noturno: os alunos não viram nem "ouviram" o professor chegar na sala. 

A massa, o povo, não ouve grito de alerta: Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência; todos estão surdos, cegos e mudos. Adeus direitos. Ninguém ouve, apenas um "apóstolo" , solitário, pregando no deserto. No deserto das multidões, finge-se de surdos para não ouvir. Finge-se de surdos para não ouvir do outro o grito de socorro. Falou comigo? "Desculpa!", eu não ouvi. 

O governo retirou dez reais do salário mínimo. Segundo a equipe econômica, a idéia é economizar trezentos milhões de reais. Contudo, para não ser investigado Michel Temer, o "Presidente", torrou doze bilhões de reais. 

No próximo Sábado, onze de novembro a reforma trabalhista entra em vigor: Centrais Sindicais, intelectuais orgânicos, segundo a teoria de Gramsci chamam os trabalhadores, convocam as massas. Vamos à luta! Estão esvaziando nossas panelas que, vazias não batem mais. 

Um apóstolo solitário no deserto grita, conclama, grita. Mas ninguém ouve. Surdos por conveniência. 

A surdez já não é mais patológica. A surdez agora é opcional. Seja por analfabetismo, seja como dizia Berthold Brecht: analfabetismo político. Todos estão surdos.


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