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12.7.18

UM TUPARETAMENSE QUE SEMPRE VESTIU A CAMISA DA SUA CIDADE. ESSE FOI CARRIM...


Finalzinho dos anos 70. Olha lá o cara com pinta de galã de novela, cabelão “invocado” e porte de atleta. Agilidade e flexibilidade na trave do gol faziam dele o melhor goleiro de Tuparetama e talvez da região. Estamos falando do nosso amigo Carrim, o Carrim de Zé Padeiro e Dona Inácia. 

Quem teve a experiência de vê-lo jogando no gol do Botafogo de Tuparetama ainda recorda-se de suas qualidades, como bem lembrou seu amigo-irmão Josa Rabêlo nas palavras de despedida hoje cedo, ao pé do caixão, ao lado da família e de uma multidão de amigos e conhecidos que se espremiam na rua em frente à sua casa para o adeus final. Carrim é mais uma figura representativa de nossa Tuparetama que nos deixa – cedo, muito cedo - pra sempre. 

Representa, primeiramente, uma geração com quase 60 anos que precisou ‘se virar’ e ‘rebolar’ para superar as imensas dificuldades de sobrevivência e de lazer numa cidadezinha pequena de interior, 40 anos atrás, num país injusto e desigual, imensamente mais desigual que hoje. Representa a exceção, aqueles que teimaram em ficar enquanto a maior parte dos amigos e colegas eram praticamente “forçados” a migrar para grandes centros como São Paulo, Rio, Brasília, em busca de trabalho e de oportunidades. 

Representa aqueles que teimando em ficar, formaram novas famílias de tuparetamenses, cujos filhos em nada mais lembram aquela juventude do país sob ditadura militar com poucas oportunidades. No caso do amigo Carrim, teve a sorte dos que são privilegiados no matrimônio: encontrou na pessoa de Graças Brito, professora e cidadã exemplar, a companhia ideal durante mais de 30 anos, com três filhos admiráveis, hoje adultos, que já nos orgulham com suas trajetórias de trabalho, de honestidade, ética e inteligência. Breno, que assim como o pai escolheu permanecer na terrinha, onde já casou e vem se destacando como empreendedor,  e Eduarda (Duda) e Messias, acadêmicos, que contagiam com seus bons exemplos de esforço e dedicação outros jovens conterrâneos. Mas acima dessas conquistas maior valor tem a dedicação pela recuperação da saúde do pai e no apoio à mãe, nesses dias difíceis de luta numa UTI. Que são os filhos senão o reflexo dos exemplos e do amor recebidos dos seus pais? 

Eu particularmente relembrarei com saudades do colega de trabalho de Prefeitura, parceiro de agruras e desafios que nós, servidores municipais, enfrentamos no exercício de funções. Foram incontáveis momentos de colaboração, boas risadas e muitas brigas, sobretudo nos trabalhos durante as festas juninas e decoração natalina da cidade, bem como nas suas “doidices” como nos blocos carnavalescos das Catraias. 

Relembrarei com saudade do parceiro empenhado no desenvolvimento e valorização do esporte em nosso município, em tantas ocasiões que estivemos juntos: nos torneios e campeonatos, nas gincanas e atividades de atletismo da “Culturama” dos anos 80, como co-fundadores da Liga Desportiva nos anos 90, ao lado de vários outros desportistas, na formalização e capacitação de equipe de arbitragem em nossa cidade, nas organizações dos jogos escolares, nas iniciativas à frente da Diretoria de Esportes e, para concluir esse breve e incompleto retrato do nosso amigo, essa marca que também nos ajuda a dimensionar sua grandeza: foi em toda sua vida o perfeito irmão mais velho, aquele parceiro e protetor, que esteve lado a lado e degrau a degrau em cada passo do seu irmão Doda. 

Um grande tuparetamense enfim, destes poucos que tiveram o privilégio (e a desdita talvez) de viver toda sua existência na terra natal. Vida curta, pois uma vida com menos de 100 anos é sempre curta, mas imensa de valores como imenso é o coração dos que nascem neste lugar, como imenso é o coração do Padroeiro que o abençoa, como imenso é o mistério desta fulgás faísca chamada Vida.

Tuparetama, 11 de julho de 2018

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