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13.9.18

Eleições: da fome à obesidade, o que os presidenciáveis ignoram


Candidatos ao Planalto pouco falam sobre segurança nutricional e doenças crônicas, a principal causa de mortes no país 


Um ornitorrinco. Essa é a figura que o sociólogo Francisco de Oliveira usou para ilustrar a situação do Brasil, um território de contradições. A imagem do mamífero que bota ovos é uma metáfora a qual também pode retratar o quadro da saúde e das políticas de segurança alimentar e nutricional do país. 

No mesmo momento em que quase um quinto da população está obesa, a fome volta a ameaçar. Linhas gerais, o brasileiro está, ao mesmo tempo, acima do peso e subnutrido. O cenário paradoxal, no entanto, é pouco ou quase nada falado pelos principais candidatos à Presidência da República nestas eleições. 

Desde o início da campanha, O Joio e O Trigo se debruçou sobre os programas e diretrizes de governo de oito presidenciáveis e estudou as propostas para as áreas de alimentos, nutrição e saúde. 

A maioria deles não toca no assunto com clareza. Ignora-se que a principal causa de morte no Brasil são as doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, hipertensão, obesidade e problemas cardiovasculares. Essas enfermidades, relacionadas à alimentação, corresponderam a 78,5% dos óbitos em 2015, de acordo com levantamento na base de dados do Datasus. 

Também passam em brancas nuvens o fato de que pelo menos 18,9% da população adulta está obesa e a constatação de que a obesidade aumentou 110% entre os jovens no período de 2007 a 2017, segundo a última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. 

Além disso, como a coisa aqui não é para amadores, nesse mesmo cenário a fome ameaça. Quase ninguém menciona, nas propostas, que o Brasil pode voltar ao Mapa da Fome, da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), com a lista de países que têm mais de 5% da população ingerindo uma quantidade de calorias menor que o recomendável. O Brasil deixou a relação em 2014 e já foi alertado que pode retornar. 

Com a exceção de Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (Psol) e Fernando Haddad (PT), que dedicam parte significativa das propostas ao tema da segurança alimentar e nutricional, os outros candidatos abordam vagamente ou nem discorrem sobre o assunto. 

Propostas sobre alimentos, nutrição e saúde aparecem ou de maneira genérica ou sequer são abordadas. Esta reportagem procurou, desde julho, pelos presidenciáveis mais presentes no debate público: Álvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), bem como Haddad, Boulos e Marina. Foram considerados tanto aqueles com melhor colocação nas pesquisas quanto os convidados aos debates televisivos. 

Eles receberam 12 perguntas tratando de temas como agricultura, investimentos públicos, programas de distribuição de comida, sustentabilidade e doenças crônicas não transmissíveis, mas apenas Dias e Boulos responderam. (Veja, ao final deste texto, o questionário enviado). Os mesmos candidatos também foram convidados pela Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, um conjunto de 38 organizações da sociedade civil, a assinar uma carta com dez propostas a respeito de saúde a nutrição. Porém, apenas o representante do Psol firmou o documento até a publicação desta reportagem. 

Campanhas presidenciais demandam energia, tempo e dinheiro. Desde que as doações por pessoas jurídicas foram proibidas, os recursos se tornaram mais escassos. No entanto, caso o leitor não saiba, todo comitê eleitoral conta com um grupo de trabalhadores responsável por atender às demandas da mídia. Eles não precisam saber tudo o que o candidato pensa, mas onde encontrar as respostas. Normalmente, há um pequeno grupo de pessoas que se encarrega das perguntas de jornalistas, procurando qual a melhor forma de atendê-las. No geral, verifica-se o programa do candidato, que, então, é sintetizado em poucas palavras. Dado o não retorno, tudo leva a crer que os assessores dos presidenciáveis procurados não fizeram isso.

PARA LER A MATÉRIA COMPLETA, COM UM RESUMO DO QUE OS CANDIDATOS JÁ FIZERAM E FALAM OU NÃO FALAM SOBRE ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO E SAÚDE, CLIQUE AQUI

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