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12.12.18

CLIMA | Orsini: planeta passa por tempos de incertezas


Foto: Leo Ramos / Revista Fapesp
Em entrevista para a revista de ciências PESQUISA FAPESP - edição deste mês de dezembro - o climatologista peruano José Antonio Marengo Orsini, falou sobre as mudanças climáticas e esclareceu que a sociedade percebe essas mudanças mas tem dificuldade de adotar medidas adaptativas, o que é preocupante.

"A natureza está dando sinais aqui e no mundo todo. Os extremos climáticos estão cada vez piores. Basta lembrar da grande seca do Nordeste que começou há seis ou sete anos, das secas e enchentes na Amazônia. As pessoas percebem que o clima está mudando, fazem até piada sobre isso. Tentamos sempre explicar que as mudanças climáticas são um processo natural, mas que está sendo acelerado pela ação humana." citou o cientista.  "Não é o homem que muda o clima. Mas, com o aumento dos gases de efeito estufa e do desmatamento, o papel do homem nesse processo está cada vez maior. Isso as pessoas ainda não entendem direito. Talvez elas não entendam a base teórica por trás das mudanças, a atribuição de causas dessas mudanças que nós, cientistas, adotamos."

Para Orsini,  a mensagem principal, a de que o clima está mudando, começa a ser entendida agora. Os exemplos se multiplicam pelo mundo todo: invernos e os verões estão mais intensos. Ele lembra que os reflexos das mudanças climáticas são sempre preocupantes, a exemplo dos idosos que podem morrer em consequência de ondas de calor. Isso já ocorre na Europa onde a população está mais adaptada ao frio. 

Perguntado sobre quais são as grandes vulnerabilidades do Brasil, Orsini respondeu que "Só recentemente esses aspectos começaram a ser avaliados. Durante algum tempo, o Brasil lutou pela bandeira da mitigação das mudanças, da redução de emissões de gases de efeito estufa, acreditando que essas medidas gerariam mecanismos de créditos de carbono que trariam mais dinheiro para a pesquisa. Isso não ocorreu. As vulnerabilidades no Brasil dependem de cada região."

Orsini exemplificou: "O Nordeste tem secas recorrentes e a população ainda não está adaptada a essa situação. Já Israel tem o mesmo clima do Nordeste, mas está adaptado a passar por períodos sem chuva e tem tecnologia avançada de irrigação que lhe permite se adaptar a situações de estiagem. A vulnerabilidade tem base física, mas também social: a população pode ou não estar adaptada e morar em áreas expostas e altamente vulneráveis a deslizamentos de terra ou a enchentes urbanas ou rurais. Ou seja, pode ou não ser vulnerável a desastres naturais."

Para ler a entrevista completa CLIQUE AQUI

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