¹

7.12.18

CULTURA | Projeto "No Meu Terreiro Tem Arte" de Odília Nunes ganha prêmio estadual Pernalonga de Teatro 2018

Fotos: Divulgação/

Com o propósito de reconhecer, valorizar e incentivar o teatro pernambucano, o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundarpe, instituiu o Prêmio Roberto de França (Pernalonga) de Teatro, que divulgou nesse dia 05 de dezembro os selecionados de sua primeira edição. (clique AQUI para ler). Para esta primeira edição do Prêmio Pernalonga foram destinados R$ 90 mil, sendo R$ 25 mil para Espetáculo Adulto, R$ 25 mil para Espetáculo para Infância e Juventude, R$ 10 mil para Espetáculo Solo, R$ 10 mil para Iniciativa Individual e R$ 20 mil para o vencedor da Iniciativa Coletiva. 


Foto: Divulgação
Na categoria Iniciativa Individual, a premiada foi Odília Nunes, do projeto No Meu Terreiro Tem Arte, do município de Ingazeira.  Para quem ainda não conhece, o projeto de Odília Nunes combina diversas ações que envolvem grupos de artes cênicas que ela recebe em sua casa, no Sítio Minadouro, área rural de Ingazeira, Sertão do Pajeú pernambucano. O mote principal do projeto são as apresentações de espetáculos teatrais gratuitos realizadas nos terreiros (quintais) da comunidade, mas o projeto se completa com a realização de oficinas criativas na escola municipal local. Nos últimos dois anos, Odília já promoveu nos terreiros do Minadouro 17 espetáculos, além de oficinas de música, dança, teatro e conscientização ambiental na escola. Tudo feito por ela e seus amigos, por amor à arte, sem cachês nem ajuda de custo.

Sobre o reconhecimento do Prêmio Pernalonga de Teatro, Odília escreveu no seu perfil público no Instagram: 

Foto: Divulgação
"NO MEU TERREIRO TEM ARTE é o projeto mais lindo que já desenvolvi na minha vida artística! Eu o realizo desde que fiz meu êxodo urbano; desde que retornei para viver numa comunidade rural em pleno sertão do Pajeú Pernambucano. Simples que nem beber caldo de cana! Corajoso como tirar de dentro de casa cobra ou escorpião sem machucá-los. Bonito feito mandacaru florido. Transformador como chuva em chão sertanejo.

Digo isso, minha amiga(o), porque meu território vibrou junto comigo desde que eu descobri o teatro, tá pra mais de 20 anos! E eu, atriz do interior, sei muito bem o que é sobreviver neste interior de arte! Sei muito bem o importante que foi quando vi um espetáculo teatral a primeira vez! E por isso, retornar foi tão necessário quanto um dia foi necessário partir. Eu carecia de mostrar ao meu povo o o vibrante que é ter acesso á arte! COMPARTILHAR o que para mim é tão importante: TEATRO com pessoas que, antes, NUNCA tinham visto um espetáculo teatral.

Foto: Divulgação
Então comecei mostrar todo meu repertório nos terreiros dos vizinhos! A ir à escola rural oferecer oficinas artísticas para as crianças. Aos poucos, as comunidades vizinhas tem chegado junto e a meta é provocar nas pessoas da cidade um olhar mais generoso para a área rural.
Que elas venham até a roça ver teatro. Porque não? Porque centralizar? Porque para ver um espetáculo teatral neste “país” PERNAMBUCO (para falar do meu umbigo) eu, ou meus vizinhos temos de ir aos grandes centros urbanos? Estamos longe de Recife 390km!!!!!

CADA HABITANTE CONTEMPLADO COM ESTE PROJETO EXISTE E TEM DIREITO AO ACESSO A ARTE! O que mais juntei nesta vida? AMIGOS. E são eles o meu apoio. São eles que vieram aqui nestes três anos me visitar e trouxeram na mala um espetáculo para compartilhar. Pois meu repertório é minúsculo diante da vontade deste povo de cá, de ver teatro! Este textão é para dizer que fomos contemplados pelo I Prêmio Pernalonga de Teatro. Muito mais que a grana, este prêmio significa para mim uma possibilidade de grito:

Cada vez que o governo do estado dá um passo para que o nosso fazer artístico seja executado com mais tranquilidade eu alimento meu sonho de que um dia terei, enquanto artista e cidadã, políticas públicas para cultura, que sejam fortes, atuantes e não pontuais!

O caminhar é longo e com muitas pedras quando pensamos na distribuição desta verba. Mas sigo na crença que se unirmos forças teremos o necessário para viver, TODOS, uma vida mais viva! Também desejo que cada pessoa que leia este texto possa entender que cá nas brenhas do interior tem coisas incríveis acontecendo! Temos muito além da falta de chuva que nos atrapalha um tanto!

O interior de Pernambuco, meus conterrâneos queridos, tem muito, muito artista fazendo artes cênicas! Você conhece algum? Você viria aqui no interior assistir meus espetáculos? E você, companheiro artista viria aqui participar do nosso projeto? Comemore comigo este prêmio. Foi merecido. Mas nem um ponto a mais, nem a menos, que qualquer outro projeto que decidiu participar desta I Edição do Pernalonga.

Meu projeto segue pulsante porque não é meu, somente. É de cada amigo que veio aqui com seu trabalho. É de quem está por vir. É de Dona Mariquinha, Dona Sônia, Sr. Expedito, Dona Lourdinha, Dona Nica, Djalma, Sr. Truvinca... adoraria nomear aqui os 130 habitantes deste Sitio Minadouro! Sigo. Viva e confiante. Sigo com força feito riachos alimentando o nosso Pajeú. Sigo, porque NO MEU TERREIRO TEM ARTE.  (Odília Nunes) "

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...