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19.12.18

EXEMPLO | Ela lidera grupo de 400 mães de crianças com microcefalia em PE


Por Bárbarsa Forte no BOL 

Germana Soares, de 27 anos, sempre quis ser mãe. Quando começou a tentar engravidar, porém, ela percebeu que havia algo errado e buscou ajuda médica. Ouviu do médico que seu sonho nunca se concretizaria, até que, seis anos depois, ela recebeu um presente: Guilherme. 
O menino, que nasceu com microcefalia após a mãe ter contraído o zika vírus na gestação, deu forças para que Germana lutasse pelos direitos e pela qualidade de vida não apenas do filho, mas de mais de 400 famílias em Pernambuco por meio da UMA (União de Mães de Anjos). 

Em pouco tempo, Germana tornou-se, sem planejar, uma líder entre as mães que dividiam suas angústias e dificuldades em Pernambuco. As 200 mulheres passaram a 400 e começaram a se chamar de UMA (União de Mães de Anjos). "Havia falta de qualidade no serviço de saúde, no acolhimento dessas crianças; todas estavam passando pelo mesmo. Então percebi que a gente precisa se movimentar. Quando eu, mãe do Guilherme, ia sozinha reivindicar, eu era mal recebida. Quando abrimos a associação, e eu chegava lá, não era mais a Germana, mãe do Guilherme. Era a Germana representando mais de 400 em todo o estado. A gente começou a ter mais espaço, voz e força", explica. 

A UMA aceita doações de leites tipo Nestogeno 2,
Aptamil, NAN, Comfor, itens de higiene pessoal
como lenços umedecidos e fraldas, além de
outros itens como roupas, calçados e
brinquedos para estimulação infantil.

A UMA (União de Mães de Anjos) é uma associação de mães de crianças com microcefalia por causa do zika vírus. Atualmente com sede em Recife, a instituição sobrevive com o apoio da sociedade civil. Os apoiadores são desde empresários até pessoas das comunidades onde as mais de 400 mulheres acolhidas moram. No espaço físico, são guardados alimentos, fraldas e outras doações para distribuição entre as mulheres. Lá também são feitas reuniões e recepções de mães e crianças de outras partes do estado que buscam tratamento e benefícios.... - 

Abandono paterno 

Um levantamento da UMA revelou que, das 400 mães acolhidas na instituição, 76% foram abandonadas pelo companheiro. Segundo Germana, a fuga do homem, nessas situações, é mais comum do que se imagina: "Antes, a gente achava que era algo que acontecia só com a gente. Mas, quando conhecemos outras mães de crianças com microcefalia, percebemos que é corriqueiro. Há o que chamamos de aborto paterno". 



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