12.12.18

MEMÓRIA | Nordestinos inscritos no livro dos Heróis da Pátria nesta quarta-feira

Panteão da Praça dos Três Poderes

Entre os 21 nomes de ilustres brasileiras e brasileiros que foram gravados no chamado Livro de Aço dos "Herois da Pátria" (Panteão da Praça dos Três Poderes, em Brasília)  nesta quarta-feira (12 de dezembro) às 10h, em uma cerimônia no próprio Panteão, estão os nordestinos Bárbara de Alencar, Miguel Arraes, Sóror Joana Angélica de Jesus, Maria Felipa, João Pedro Teixeira, Francisco do Nascimento e Clara Camarão.  

Inaugurado em 1985, o Panteão da Pátria ganhou seu primeiro herói, Tiradentes, em 1989. Atualmente com 10 páginas, feitas realmente de aço, a lista não recebia novas inscrições, entretanto, desde 2014, apresentando até ontem 30 nomes, o último deles de Joaquim Nabuco.

Para que o personagem faça parte do rol, é necessário que o Senado Federal e Câmara dos Deputados aprovem um projeto com pedido de inclusão e que essa lei seja aprovada nas casas. É necessário também que tenham se passado 10 anos da morte.

Dos 21 novos nomes que serão inscritos nesta quarta-feira, o de Bárbara de Alencar foi a de processo mais lento. Nome aprovado ainda em 2014, só agora ela será de fato inscrita nas lâminas de aço que compõem o livro em exposição permanente.

Bárbara de Alencar nasceu em Pernambuco, aos 11 de fevereiro de 1760. Apesar dos dados biográficos apresentarem divergências, um fato é incontestável: a pernambucana radicada no Ceará foi figura essencial para as lutas que engendraram a Proclamação da República. Agitadora social, ela conseguiu colocar a elite em torno da causa. O combate teve um preço. Bárbara foi a primeira presa política do País e amargou meses de cativeiro – circulando entre Recife e Salvador, sem conforto ou contato com os familiares, até receber o perdão real. 

A autonomia de Bárbara começou ainda na infância, quando aprendeu a ler e a escrever – condição rara para as mulheres da época. Após o matrimônio, foi morar no Crato, região sul do Ceará, onde iniciou o contato com os ideais republicanos. “Ela era um ícone. Se tornou uma mulher forte no imaginário popular. Todos corriam para ver passar a mulher que escapou da forca e era a inimiga do rei. Mas ela não era inimiga de ninguém, era uma revolucionária”

Para o escritor Gylmar Chaves, biógrafo da heroína revolucionária, há poucos dados sobre ela. O pouco que existe registrado sobre Bárbara são fatos que  historiadores citam. Mais conhecida por ser avó do escritor José de Alencar, Bárbara deixou imagens marcantes para as novas gerações - revolucionária, empreendedora, beata, madrinha dos escravos. 

Bárbara destacou-se em várias frentes e em todas há um ponto comum: ela representa a entrada feminina em campos dedicados somente aos homens durante o século XVIII – pontua a pesquisadora Kelyane Silva de Sousa, que escreveu uma tese de mestrado sobre o legado da revolucionária. Já viúva, Bárbara assumiu o protagonismo da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador (1824). “Não era um papel secundário. Ela foi articuladora e, inclusive, escrevia os discursos para filhos e tios falarem em público”, pontua Kelyane. 


Miguel Arraes - Cearense do Araripe, Miguel Arraes nasceu em 15 de dezembro de 1916 e faleceu no dia  13 de agosto de 2005. É considerado defensor intransigente dos pobres, tendo sido exilado durante a ditadura militar . Foi advogado e economista mas se destacou desde cedo na política, quando passou a residir em Recife  ainda aos 15 anos, a fim de concluir os seus estudos.

Em Pernambuco seguiu carreira política como deputado estadual, prefeito de Recife, governador e deputado federal. Foi na sua gestão como prefeito que lançou o revolucionário “Movimento de Cultura Popular” que visava à alfabetização de moradores dos morros e das periferias pelo também revolucionário método Paulo Freire.Como governador, mediou acordo entre empresários da cana e do açúcar e trabalhadores rurais da Zona da Mata, pelo qual esses últimos passaram a ter direito à carteira de trabalho e ao pagamento do salário mínimo.


Lista completa dos novos nomes do Livro dos Heróis da Pátria: 


  • Clara Camarão - Indígena potiguara, foi líder de um pelotão feminino durante as invasões holandesas em Recife em 1623. 
  • Maria Felipa - Liderou um grupo de cerca de 200 mulheres negras e indígenas nas guerras de independência na Bahia em 1822. 
  • João Pedro Teixeira - Sindicalista rural paraibano assassinado em 1962 e retratado no filme “Cabra marcado para morrer” (1984, foto).
  • Visconde de São Leopoldo - Grande defensor da criação de universidades no Brasil ainda nos tempos de colonialismo.
  • Martim Soares Moreno - Navegador português que é tido como fundador do Ceará. Inspirou José de Alencar a escrever Iracema.
  • Euclides da Cunha - Jornalista autor de “Os Sertões” divulgou ao mundo com seu texto o massacre da Guerra de Canudos.
  • Luiz Gama - Importante líder abolicionista, foi um dos primeiros advogados negros do Brasil. Soltou legalmente 500 escravos.
  • Maria Quitéria de Jesus Medeiros  -Sob disfarce, foi a primeira mulher a fazer parte do Exército Brasileiro, em 1823.
  • Sóror Joana Angélica de Jesus - Religiosa baiana assassinada na defesa do Convento da Lapa, em Salvador, em 1822.
  • Zuzu Angel - Estilista que lutou na Ditadura Militar para reaver o corpo de seu filho desaparecido e foi perseguida por isso.
  • Machado de Assis - Autor de “Dom Casmurro” e “Memórias Póstrumas de Brás Cubas”, criou a Academia Brasileira de Letras.
  • João das Botas - Herói da Independência do Brasil na Bahia, português de nascimento, combateu os colonizadores.
  • Rui Barbosa - Político central do segundo império e da primeira República é pai do movimento abolicionista no Brasil.
  • Leonel Brizola - Político gaúcho que organizou a resistência à deposição de João Goulart pela ditadura militar em 1964.
  • Marechal Rondon - Militar e sertanista, foi líder de expedições desbravadoras no oeste e fundador do Serviço de Proteção ao Índio.
  • Jovita Feitosa - Assim como Maria Quitéria, se disfarçou de homem para integrar o exército. Foi proibida de lutar e se matou.
  • Irmão Joaquim - Religioso franciscano do século 18 que fundou casas de assistência e hospitais em São Paulo e no Rio de Janeiro.
  • Francisco do Nascimento - Conhecido como Dragão do Mar, o cearense foi líder dos jangadeiros nas lutas abolicionistas.
  • Maestro Antônio Carlos Gomes - Autor da ópera “O Guarani”, inspirada no livro de José de Alencar, foi notável compositor.

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