10.12.19

Um Natal sem fartura para as famílias brasileiras


Da Redação do Brasil de Fato

“É muito difícil viver com 33 mil reais por mês”. Essa frase foi dita por Heloisa Wolf, esposa de Eduardo Bolsonaro, em vídeo veiculado em suas redes sociais. Os R$33 mil correspondem ao valor mensal que Eduardo, deputado federal do PSL/SP e filho do atual presidente Jair Bolsonaro, recebe pelo exercício do cargo político. 

Enquanto isso, a metade mais pobre da população, cerca de 104 milhões de brasileiros, vive com apenas R$413 por mês, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2018 e divulgada em outubro deste ano. 

A mesma pesquisa revelou o aumento da desigualdade e da concentração de renda no país, chegando a índices recordes desde que a pesquisa começou a ser realizada em 2012. Enquanto o 1% dos brasileiros mais ricos teve aumento real de 8,4% no rendimento médio mensal em 2018, os 5% mais pobres tiveram queda nos rendimentos de 3,2%. Ao mesmo tempo, os 10% da população mais pobre detém apenas 0,8% do rendimento, ao passo que os 10% mais ricos concentram 43,1%. 

O projeto de austeridade e de desmonte do Estado, que se iniciou com o golpe que levou Michel Temer à presidência da República e se aprofunda no atual governo de Jair Bolsonaro, materializado na reforma trabalhista, reforma da previdência, privatização das empresas públicas, entrega dos bens comuns, como terra, água e petróleo, e cortes em investimentos em educação, saúde e demais políticas públicas, serve justamente ao aumento da pobreza, da desigualdade e da concentração de renda. 

Sem acesso ao emprego formal, aos direitos trabalhistas e às políticas públicas, a maioria da população brasileira vai vivenciando o “aperto”, se submetendo à formas cada vez mais precárias de trabalho e de moradia e tirando itens da feira. 

Enquanto a esposa do deputado federal e filho do presidente da República se queixa, o que a teria feito “economizar” com lanches na rua em suas viagens à turismo pelo exterior, a maioria trabalhadora da população brasileira volta a viver com o risco do aumento da fome. A atual Ministra da Agricultura, Tereza Cristina afirma que não é papel do Estado interferir no preço da carne que subiu em média 20% esse mês devido ao aumento da demanda de exportação para a China. 

Ao mesmo tempo, pela segunda vez, o governo reduziu o valor do reajuste do salário mínimo do próximo ano. 

Não nos enganemos, o projeto do atual governo, subordinado aos interesses do capital internacional e do imperialismo, é desvalorizar a moeda nacional em benefício ao setor exportador, a exemplo do agronegócio. 

Final de ano é tempo de descanso, reencontros entre amigos e familiares, e deveria ser de fartura, paz e solidariedade na mesa da classe trabalhadora. Mas o que percebemos nessa reta final de 2019 é a aplicação de um projeto de carestia e de piora da vida da maioria dos brasileiros.
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